segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Zé Zangado em muito boa companhia Nas Nuvens...

No Sábado passado, dia 20 de Fevereiro de 2016, a convite da equipa da fantástica loja Nas Nuvens, com quem já colaboro há algum tempo, estive a dinamizar uma actividade para famílias em que o Zé Zangado foi a estrela.
Pais, mães, avós e crianças estiveram comigo para uma tarde tão completa, em que a leitura do Zé Zangado animada e cheia de contribuições foi a primeira iniciativa, que nos ajudou a todos e especialmente aos miúdos, a perceber que toda a gente se pode, às vezes transformar em "Zangado" e que há muito a fazer quando isso acontece.

Depois de conhecermos a história do "Zé Zangado", com a ajuda de uma caixa cheia de magia, canetas, revistas, lápis de cera, tesouras, olhinhos animados, lápis de cor, autocolantes, cada família construiu o seu primeiro livro, em que a Zanga, de todas as maneiras e em que a imaginação foi o limite, foi a protagonista.

E posso dizer-vos que surgiram histórias fantásticas, do "menino aborrecido", à história "Uma zanga", passando pelo conto "Não quero", até à história do "Didi" ou da "Titiz", entre tantas outras.

Partilhámos no final com o grupo, os livros fantásticos que cada família construiu e todos levaram para casa, com o convite para os terminarem. Porque um livro não se faz assim todo de uma vez! Ainda estou curiosa para ver como ficaram terminados!






Eu gostei muito de poder partilhar o meu "Zé Zangado" e conhecer as histórias das famílias fantásticas que quiseram vir passar uma tarde dedicada ao desenvolvimento emocional dos miúdos, ferramenta essencial para um bom crescimento!

Quem não pôde estar, aqui ficam os registos fotográficos possíveis de alguns dos nossos momentos, com a vontade de repetir e porque ao vivo é bem melhor! Quem sabe com a Maria do Medo e o Filipe Feliz!

O meu muito obrigada à Maria, Susana e Filipa pela ajuda e a todos os pais, mães, avós e miúdos que fizeram da nossa tarde, um momento muito rico e especial!

Até breve!
Rita Castanheira Alves

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Apresentação da Colecção Infantil Emoções e conversa com educadores e professores - Agrupamento de Escolas de Póvoa de Santa Iria



Ontem, dia 15 de Fevereiro de 2016, a convite da Associação de Pais e do Serviço de Psicologia do Agrupamento de Escolas de Póvoa de Santa Iria, estive a apresentar a colecção infantil Emoções aos professores e educadores que quiseram saber mais e que consideram o desenvolvimento emocional fundamental para o crescimento saudável e para a aprendizagem dos alunos.
O Filipe Feliz, a Maria do Medo e o Zé Zangado foram comigo e serviram de pretexto para uma conversa tão importante e rica sobre a importância do desenvolvimento emocional, estratégias de o implementar em sala de aula, desde o Jardim-de-Infância, sua integração nos conteúdos de aprendizagem e como os livros podem então ser uma ajuda para isso mesmo e como. 

Muitas considerações se fizeram, ideias novas e possíveis de aplicar de lá surgiram e a prova de que o diálogo, a troca de experiências e de ideias é a chave para um excelente trabalho de quem tem a grande responsabilidade de educar, ensinar e ajudar a crescer os mais novos. 

Obrigada a todos os que participaram. Gostei muito.

Fica a ideia para outras escolas, instituições. Estarei disponível, à distância de um email ou telefonema. 

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Vamos brincar ao Carnaval em casa? Um desafio de troca de pais e filhos

É Carnaval!

O desafio da Psicóloga dos Miúdos neste Carnaval é:

- Sentem-se em família e proponha uma ideia que vai deixar os pequenos a rir e os adolescentes a dizerem: "-Daahhh..." Mas não faz mal, é Carnaval ninguém leva a mal.

- A mãe, o pai, os pais, as mães, os pais mascaram-se de filhos e os filhos de pais. Mesmo à séria, não é só imitar. Devem imitar o cabelo, trocar de roupas, pôr acessórios. Tudo à séria!

- Numa tarde, numa manhã, ao almoço, ao jantar devem mascarar-se criteriosamente e fazer de filho ou fazer de pai, o que interessa é trocar.

- Não vale criticar, ficar zangado ou não saber aceitar. É Carnaval!

- No final, podem falar sobre a experiência: dificuldades, emoções sentidas, facilidades, conclusões.

A troca de papéis, o distanciamento, a observação de nós mesmos, é de extrema eficácia na mudança comportamental, na resolução de conflitos relacionais ou na regulação emocional.

E já agora, divirta-se!

Fica o desafio!
Estranho? Talvez. Mas muito eficaz!

Votos de Feliz Carnaval!

Rita Castanheira Alves

Fonte da Imagem: http://amarguras-amarelas.blogspot.pt/2015/02/fantasias-mae-e-filha-para-brincar-o.html

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Para o meu pai, sou SÓ uma desilusão

Hoje falei com o meu pai. Fiz tal e qual como tinha falado com a minha professora, cheguei, respirei fundo, olhei para ele e disse-lhe: "- Pai, tenho de falar contigo. Quero contar-te uma coisa."
Como eu tantas vezes insisti, lá veio o grito, o sopro de saturação e aquele olhar que me faz de imediato querer recuar no tempo e não ter decidido tentar, ter optado por ficar calado.

Mesmo assim enchi-me de coragem e já tinha mesmo começado, resolvi continuar: "- Desde há uns meses que, por alguns motivos, não me sinto bem... Não sei bem como explicar..."
E de imediato outro sopro, outro grito e a impaciência que me assombra. Interrrompeu-me e disse-me: "- Já chega de desculpas e vitimizações para as notas que tens tido. A preguiça justifica-se por si só e não venhas com existencialismos."
 
Senti as lágrimas a tremerem e a quererem vir espreitar e toda eu fiquei tenso e de rastos. Como eu tinha dito à DT não vale mesmo a pena, ele nunca vai querer ouvir e perceber o que se passa, na verdade eu sou só uma desilusão.
Mais uma vez, calei-me, interrompi a respiração para não permitir que as lágrimas saíssem e fui para o quarto.
 
Ainda o ouvi entre dentes refilar e dizer: "- se estudasses não precisavas de desculpas..."

E não estudei. Chorei e confirmei(-lhe) que não vale mesmo a pena, ele não iria mesmo entender. 
Sou só uma desilusão.

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Namorado da minha Filha

A Fátima é mãe de uma adolescente de 17 anos, a Marta. Vivem as duas, o pai da Marta vive longe há alguns anos, desde o divórcio do casal e o contacto é esporádico.
A Fátima traz a Marta à consulta e desde os primeiros minutos de conversa é possível identificar que há discórdia entre mãe e filha relativamente ao tema "namoro".

A Fátima, mãe, quase de costas voltadas para a Marta, explica-me que não gosta do namorado da filha: "- É preguiçoso, ciumento, uma má influência para a Marta. Não tem objectivos, não tem grandes interesses."
A Marta permanece calada, é uma miúda sensível, com uma expressão triste, encolhe os ombros perante as afirmações da mãe e só fala quando questionada.
A Fátima esclarece: " - Estou preocupada, quero o melhor para a Marta e sei que este não é o rapaz para ela, não traz nada de bom."
Percebo ao longo da nossa conversa, com a ajuda de ambas, que se relacionam num jogo entre a cumplicidade e a discórdia, a preocupação mútua e a distância criada pela diferença geracional e vivências de cada uma, que a Fátima se recusa a conhecer o namorado da Marta, afirma não conseguir estar com ele e não querer fomentar de forma nenhuma a interacção e convívio com o namorado da filha: " - Não quero, nem consigo, não vou nunca aceitar."
A Marta fica só comigo. Fica de imediato com os olhos molhados, agitada com as afirmações da mãe e também com a partilha dos episódios que a constrangeram: " - A minha mãe não quer aceitar, nem quer sequer conhecê-lo melhor. Às vezes, quando percebe que estou a falar com ele, grita comigo e faz com que eu desligue o telefone. Fico triste, preocupada, sinto-me sozinha. A verdade é que não quero a minha mãe longe, distante mas nunca consegui ter um namorado e pela primeira vez, sinto que consigo ser eu mesma com alguém e sinto-me gostada."
Nas partilhas que vão fazendo, compreendo a história relacional da Fátima, marcada por desgostos, relações com o sexo oposto pouco felizes, vivências de pouca ou nenhuma confiança. Compreendo e sinto uma mãe preocupada, uma filha que pela primeira vez se sente e se permite ser gostada, e que não quer prescindir disso neste momento, mas uma relação mãe-filha cada vez mais distante e desgastada. Uma relação que sempre foi próxima, de companheirismo, nalguns momentos talvez mais do que o necessário, de duas mulheres, uma grande e outra mais pequenina, ou quem sabe as duas pequenas, unidas, mas com um distanciamento cada vez maior perante a primeira relação amorosa da mais nova, da filha.
A Fátima fica sozinha comigo, a Marta sai por momentos: " - Ela está a deixar tudo de lado por causa dele, parece que só ele interessa e eu irrito-me, aquilo não vai dar nada, ela tem de perceber e enquanto não percebe, eu aborreço-me com ela. Mas é porque me preocupo e tenho de fazer qualquer coisa."
Em casa, percebo que se antes conversavam muito e partilhavam tudo, actualmente não acontece. A Marta fala muito com o namorado e a Fátima perante o silêncio maior da filha e a reprovação do namoro, deixou praticamente de lhe falar e mostra desagrado quando a Marta tenta falar com ela e partilhar alguns acontecimentos, especialmente relativos ao namorado. A Marta chora por isso e diz que se sente desprezada, como se a mãe estivesse a culpá-la por uma coisa que, por enquanto é boa.
É neste jogo, em que sinto que parece que alguém tem de ganhar, que é preciso parar, a mãe e a filha, mas por mais que custe, especialmente a mãe. Parar a mãe e confrontá-la, num exercício tranquilo, sem culpabilização, de algum distanciamento emocional da situação, com o que pretende (intenção) e o que está realmente a conseguir (resultado). Rapidamente, juntas percebemos que a intenção é a melhor: a preocupação com a entrega total da filha Marta, frágil, a alguém que não merece e "não serve" para ela, movida também pelos próprios receios da mãe enquanto mulher, mas que o resultado está a ser o pior: o aumento constante do distanciamento entre ambas, o isolamento da Marta em casa, a possibilidade de, se realmente o namorado não é bom, o pedido de ajuda ou desabafo não ser feito à mãe, porque se gerou uma batalha e não um apoio e suporte.
De repente, torna-se claro para a Fátima, enquanto mãe que terá de ser a primeira a parar, se quer então levar a sua intenção da melhor forma, alertando que é momento de saber que já não será fácil ou pelo menos, não produtivo, proibir, censurar, desprezar, porque são 17 anos e não 7. É tempo de orientar, aconselhar sem julgar, apoiar, estar por perto e disponível, optando por ouvir coisas feitas que fazem dar a volta ao estômago, mas dessa forma é mais eficaz. A Fátima confundiu estar ao lado da Marta, com o receio de estar a aprovar, como que a dizer: " - Continua porque ele te trata mal e eu estou ao teu lado como se nada fosse.", e isso foi afastando-a da filha e a filha da Fátima.
A Marta percebeu as intenções da mãe e reconheceu que, ainda que aos 17 anos, não seja sempre fácil, ainda mais quando se está apaixonada e nos sentimos admiradas e que o merecemos pela primeira vez, sabe que está "muito agarrada" a este namorado e que se tem afastado ou deixado de lado algumas coisas importantes e que o facto de nunca ter gostado muito de si mesma pode ser um factor de risco para relações menos boas. No entanto, aos 17 anos, neste caso, não é fácil ser objectiva ao ponto de deixar aquele que nos admira, nos elogia e nos faz sentir especial. Às vezes, nem aos 47.

Parece difícil, e é mesmo, para a mãe Fátima continua a ser, mas com muito esforço e o confronto com o que estava realmente a acontecer, aproximou-se da Marta novamente. As discussões diminuíram, continua a não gostar do namorado da filha e a ter dificuldade em ouvi-la falar sobre ele. No entanto, a Marta fala dele, partilha o que é tão bom, mas também já partilhou o que correu mal e abriu-se assim a oportunidade, para agora sim, a intenção de mãe começar a ser realmente cumprida, da melhor forma possível aos 17 anos: orientando, aconselhando, não julgando e estando sempre ali, para escutar e se for preciso, sim, também abraçar, mesmo que o que esteja na cabeça de mãe seja:
"- Eu já sabia, bem te avisei."

Afinal, que bom seria que também as mães aos 40, 50 ou 60 pudessem ter um abraço da sua mãe, que escuta, não julga e ainda orienta, mesmo quando é um disparate.

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

De regresso à vida, em paz e com novas forças. Um Ano muito Feliz.

Depois de um ano tão cheio, tão grande, tão intenso e com tantos desafios, nas últimas semanas de 2015 foi obrigatório descansar. Fui só ali um bocadinho, ser Feliz. Ainda mais.

Porque tentar ser feliz e fazer disso uma prioridade é obrigatório. Porque ser feliz é saúde mental e porque ser feliz nos ajuda muito e ajuda ainda mais quem gostamos e quem cuidamos. 

Fui só ali um bocadinho ser feliz e repôr as forças. Já voltei, com nova energia, novas inspirações e disponível para continuar a caminhar convosco. E feliz.

Um ano muito, muito feliz. 
Cá estou para tentar convosco. 

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Natal do meu Pai Luís

Este ano, o meu pai voltou a escrever e voltei a aprender com ele: Nunca é tarde para voltar a paixões antigas, para nos desafiarmos e para tirar do baú o que lá fomos deixando esquecido, adiado, em pausa, porque a vida assim o diz. Nunca é tarde. Nunca será tarde para recordarmos, para nos (re)descobrirmos. 

Hoje partilho um dos seus regressos à escrita, às memórias, ao baú do meu pai. Um regresso de que me orgulho. O regresso ao Natal da sua infância. 
Feliz Natal. 


Nesse Natal, e um pouco triste por já não ter medo, fui à chaminé e...
Ahhh...! Afinal o menino-jesus não trouxe o “Monopoly”!
Trouxe lápis de cor “Viarco”! Que bom! Trouxe um livro da “Branca de Neve”; é bom também! E chocolates! E meias...

Tinha feito o presépio: lá estava o menino-jesus: naquele ano, já numa cama de palhinha. Em frente, o burrinho e a vaquinha e algumas ovelhas de olhos muito abertos com as cabeças junto ao musgo que eu tocava todos os dias, porque era fofo e fresquinho: borrifava-o para se manter viçoso!

Também os 3 reis magos, que eu fazia avançar todos os dias 1 cm, até que, no dia de Natal, davam um salto maior para darem os presentes ao menino. Um dos reis magos era escuro, e eu pensava que ele era mau! Mas como fazia parte...

Mas havia mais: lavadeira, poço, pastor, um espelho que era água, uma ponte do tamanho dos patos, um moinho e um moleiro muito maior que o moinho!
E pus o moinho no cimo dum monte para fingir que estava lá longe, pequenino!

E lá por detrás do menino: o pai e a mãe dele, que eu trocava de posição de vez em quando, para o distrair.
A vaca e o burro, nas noites mais frias, lembro-me que os aproximava e punha-os quase em cima da cama de palhinha, para o aquecer.

A estrela, e a barraca feita duma caixa de sapatos da Monumental do Calçado, que à data, ainda não tinha o sapato grande à porta (aquele sapato que uns anos mais tarde se encheria de castanhas para um passatempo radiofónico, por altura do S. Martinho).

Também punha algodão, que era neve. E junto ao presépio um pinheiro pequenino, com bolinhas e fitas. E nas bolinhas eu via muitos presépios lá dentro... luzes não havia, eram caras.

E nesse ano, a seguir ao Natal, juntei-me com um amigo na escada do prédio, lá em cima, à entrada do terraço, e com os lápis de cor pintámos um quadrado de madeira: escrevemos as ruas e as estações de comboio, fizemos a prisão e a casa da partida, a sorte, os telefones e o gás. Conseguimos um dado. As caricas das gasosas foram peões.
Cortámos cartões e papelinhos que foram dinheiro, e jogámos muitas vezes...Muitos dias!

Porque havia meninos como nós, lá na rua, que já tinham um “Monopoly”, mesmo a sério, e que não nos deixavam jogar com eles.

Só para chatear, o nosso tinha muito mais dinheiro do que o deles, e jogávamos às vezes... Duas vezes seguidas, para passar na casa de partida mais depressa e receber 2 contos muitas vezes!


Feliz Natal!

Luís Alves