terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Apresentação da Colecção Infantil Emoções e conversa com educadores e professores - Agrupamento de Escolas de Póvoa de Santa Iria



Ontem, dia 15 de Fevereiro de 2016, a convite da Associação de Pais e do Serviço de Psicologia do Agrupamento de Escolas de Póvoa de Santa Iria, estive a apresentar a colecção infantil Emoções aos professores e educadores que quiseram saber mais e que consideram o desenvolvimento emocional fundamental para o crescimento saudável e para a aprendizagem dos alunos.
O Filipe Feliz, a Maria do Medo e o Zé Zangado foram comigo e serviram de pretexto para uma conversa tão importante e rica sobre a importância do desenvolvimento emocional, estratégias de o implementar em sala de aula, desde o Jardim-de-Infância, sua integração nos conteúdos de aprendizagem e como os livros podem então ser uma ajuda para isso mesmo e como. 

Muitas considerações se fizeram, ideias novas e possíveis de aplicar de lá surgiram e a prova de que o diálogo, a troca de experiências e de ideias é a chave para um excelente trabalho de quem tem a grande responsabilidade de educar, ensinar e ajudar a crescer os mais novos. 

Obrigada a todos os que participaram. Gostei muito.

Fica a ideia para outras escolas, instituições. Estarei disponível, à distância de um email ou telefonema. 

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Vamos brincar ao Carnaval em casa? Um desafio de troca de pais e filhos

É Carnaval!

O desafio da Psicóloga dos Miúdos neste Carnaval é:

- Sentem-se em família e proponha uma ideia que vai deixar os pequenos a rir e os adolescentes a dizerem: "-Daahhh..." Mas não faz mal, é Carnaval ninguém leva a mal.

- A mãe, o pai, os pais, as mães, os pais mascaram-se de filhos e os filhos de pais. Mesmo à séria, não é só imitar. Devem imitar o cabelo, trocar de roupas, pôr acessórios. Tudo à séria!

- Numa tarde, numa manhã, ao almoço, ao jantar devem mascarar-se criteriosamente e fazer de filho ou fazer de pai, o que interessa é trocar.

- Não vale criticar, ficar zangado ou não saber aceitar. É Carnaval!

- No final, podem falar sobre a experiência: dificuldades, emoções sentidas, facilidades, conclusões.

A troca de papéis, o distanciamento, a observação de nós mesmos, é de extrema eficácia na mudança comportamental, na resolução de conflitos relacionais ou na regulação emocional.

E já agora, divirta-se!

Fica o desafio!
Estranho? Talvez. Mas muito eficaz!

Votos de Feliz Carnaval!

Rita Castanheira Alves

Fonte da Imagem: http://amarguras-amarelas.blogspot.pt/2015/02/fantasias-mae-e-filha-para-brincar-o.html

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Para o meu pai, sou SÓ uma desilusão

Hoje falei com o meu pai. Fiz tal e qual como tinha falado com a minha professora, cheguei, respirei fundo, olhei para ele e disse-lhe: "- Pai, tenho de falar contigo. Quero contar-te uma coisa."
Como eu tantas vezes insisti, lá veio o grito, o sopro de saturação e aquele olhar que me faz de imediato querer recuar no tempo e não ter decidido tentar, ter optado por ficar calado.

Mesmo assim enchi-me de coragem e já tinha mesmo começado, resolvi continuar: "- Desde há uns meses que, por alguns motivos, não me sinto bem... Não sei bem como explicar..."
E de imediato outro sopro, outro grito e a impaciência que me assombra. Interrrompeu-me e disse-me: "- Já chega de desculpas e vitimizações para as notas que tens tido. A preguiça justifica-se por si só e não venhas com existencialismos."
 
Senti as lágrimas a tremerem e a quererem vir espreitar e toda eu fiquei tenso e de rastos. Como eu tinha dito à DT não vale mesmo a pena, ele nunca vai querer ouvir e perceber o que se passa, na verdade eu sou só uma desilusão.
Mais uma vez, calei-me, interrompi a respiração para não permitir que as lágrimas saíssem e fui para o quarto.
 
Ainda o ouvi entre dentes refilar e dizer: "- se estudasses não precisavas de desculpas..."

E não estudei. Chorei e confirmei(-lhe) que não vale mesmo a pena, ele não iria mesmo entender. 
Sou só uma desilusão.

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Namorado da minha Filha

A Fátima é mãe de uma adolescente de 17 anos, a Marta. Vivem as duas, o pai da Marta vive longe há alguns anos, desde o divórcio do casal e o contacto é esporádico.
A Fátima traz a Marta à consulta e desde os primeiros minutos de conversa é possível identificar que há discórdia entre mãe e filha relativamente ao tema "namoro".

A Fátima, mãe, quase de costas voltadas para a Marta, explica-me que não gosta do namorado da filha: "- É preguiçoso, ciumento, uma má influência para a Marta. Não tem objectivos, não tem grandes interesses."
A Marta permanece calada, é uma miúda sensível, com uma expressão triste, encolhe os ombros perante as afirmações da mãe e só fala quando questionada.
A Fátima esclarece: " - Estou preocupada, quero o melhor para a Marta e sei que este não é o rapaz para ela, não traz nada de bom."
Percebo ao longo da nossa conversa, com a ajuda de ambas, que se relacionam num jogo entre a cumplicidade e a discórdia, a preocupação mútua e a distância criada pela diferença geracional e vivências de cada uma, que a Fátima se recusa a conhecer o namorado da Marta, afirma não conseguir estar com ele e não querer fomentar de forma nenhuma a interacção e convívio com o namorado da filha: " - Não quero, nem consigo, não vou nunca aceitar."
A Marta fica só comigo. Fica de imediato com os olhos molhados, agitada com as afirmações da mãe e também com a partilha dos episódios que a constrangeram: " - A minha mãe não quer aceitar, nem quer sequer conhecê-lo melhor. Às vezes, quando percebe que estou a falar com ele, grita comigo e faz com que eu desligue o telefone. Fico triste, preocupada, sinto-me sozinha. A verdade é que não quero a minha mãe longe, distante mas nunca consegui ter um namorado e pela primeira vez, sinto que consigo ser eu mesma com alguém e sinto-me gostada."
Nas partilhas que vão fazendo, compreendo a história relacional da Fátima, marcada por desgostos, relações com o sexo oposto pouco felizes, vivências de pouca ou nenhuma confiança. Compreendo e sinto uma mãe preocupada, uma filha que pela primeira vez se sente e se permite ser gostada, e que não quer prescindir disso neste momento, mas uma relação mãe-filha cada vez mais distante e desgastada. Uma relação que sempre foi próxima, de companheirismo, nalguns momentos talvez mais do que o necessário, de duas mulheres, uma grande e outra mais pequenina, ou quem sabe as duas pequenas, unidas, mas com um distanciamento cada vez maior perante a primeira relação amorosa da mais nova, da filha.
A Fátima fica sozinha comigo, a Marta sai por momentos: " - Ela está a deixar tudo de lado por causa dele, parece que só ele interessa e eu irrito-me, aquilo não vai dar nada, ela tem de perceber e enquanto não percebe, eu aborreço-me com ela. Mas é porque me preocupo e tenho de fazer qualquer coisa."
Em casa, percebo que se antes conversavam muito e partilhavam tudo, actualmente não acontece. A Marta fala muito com o namorado e a Fátima perante o silêncio maior da filha e a reprovação do namoro, deixou praticamente de lhe falar e mostra desagrado quando a Marta tenta falar com ela e partilhar alguns acontecimentos, especialmente relativos ao namorado. A Marta chora por isso e diz que se sente desprezada, como se a mãe estivesse a culpá-la por uma coisa que, por enquanto é boa.
É neste jogo, em que sinto que parece que alguém tem de ganhar, que é preciso parar, a mãe e a filha, mas por mais que custe, especialmente a mãe. Parar a mãe e confrontá-la, num exercício tranquilo, sem culpabilização, de algum distanciamento emocional da situação, com o que pretende (intenção) e o que está realmente a conseguir (resultado). Rapidamente, juntas percebemos que a intenção é a melhor: a preocupação com a entrega total da filha Marta, frágil, a alguém que não merece e "não serve" para ela, movida também pelos próprios receios da mãe enquanto mulher, mas que o resultado está a ser o pior: o aumento constante do distanciamento entre ambas, o isolamento da Marta em casa, a possibilidade de, se realmente o namorado não é bom, o pedido de ajuda ou desabafo não ser feito à mãe, porque se gerou uma batalha e não um apoio e suporte.
De repente, torna-se claro para a Fátima, enquanto mãe que terá de ser a primeira a parar, se quer então levar a sua intenção da melhor forma, alertando que é momento de saber que já não será fácil ou pelo menos, não produtivo, proibir, censurar, desprezar, porque são 17 anos e não 7. É tempo de orientar, aconselhar sem julgar, apoiar, estar por perto e disponível, optando por ouvir coisas feitas que fazem dar a volta ao estômago, mas dessa forma é mais eficaz. A Fátima confundiu estar ao lado da Marta, com o receio de estar a aprovar, como que a dizer: " - Continua porque ele te trata mal e eu estou ao teu lado como se nada fosse.", e isso foi afastando-a da filha e a filha da Fátima.
A Marta percebeu as intenções da mãe e reconheceu que, ainda que aos 17 anos, não seja sempre fácil, ainda mais quando se está apaixonada e nos sentimos admiradas e que o merecemos pela primeira vez, sabe que está "muito agarrada" a este namorado e que se tem afastado ou deixado de lado algumas coisas importantes e que o facto de nunca ter gostado muito de si mesma pode ser um factor de risco para relações menos boas. No entanto, aos 17 anos, neste caso, não é fácil ser objectiva ao ponto de deixar aquele que nos admira, nos elogia e nos faz sentir especial. Às vezes, nem aos 47.

Parece difícil, e é mesmo, para a mãe Fátima continua a ser, mas com muito esforço e o confronto com o que estava realmente a acontecer, aproximou-se da Marta novamente. As discussões diminuíram, continua a não gostar do namorado da filha e a ter dificuldade em ouvi-la falar sobre ele. No entanto, a Marta fala dele, partilha o que é tão bom, mas também já partilhou o que correu mal e abriu-se assim a oportunidade, para agora sim, a intenção de mãe começar a ser realmente cumprida, da melhor forma possível aos 17 anos: orientando, aconselhando, não julgando e estando sempre ali, para escutar e se for preciso, sim, também abraçar, mesmo que o que esteja na cabeça de mãe seja:
"- Eu já sabia, bem te avisei."

Afinal, que bom seria que também as mães aos 40, 50 ou 60 pudessem ter um abraço da sua mãe, que escuta, não julga e ainda orienta, mesmo quando é um disparate.

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

De regresso à vida, em paz e com novas forças. Um Ano muito Feliz.

Depois de um ano tão cheio, tão grande, tão intenso e com tantos desafios, nas últimas semanas de 2015 foi obrigatório descansar. Fui só ali um bocadinho, ser Feliz. Ainda mais.

Porque tentar ser feliz e fazer disso uma prioridade é obrigatório. Porque ser feliz é saúde mental e porque ser feliz nos ajuda muito e ajuda ainda mais quem gostamos e quem cuidamos. 

Fui só ali um bocadinho ser feliz e repôr as forças. Já voltei, com nova energia, novas inspirações e disponível para continuar a caminhar convosco. E feliz.

Um ano muito, muito feliz. 
Cá estou para tentar convosco. 

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Natal do meu Pai Luís

Este ano, o meu pai voltou a escrever e voltei a aprender com ele: Nunca é tarde para voltar a paixões antigas, para nos desafiarmos e para tirar do baú o que lá fomos deixando esquecido, adiado, em pausa, porque a vida assim o diz. Nunca é tarde. Nunca será tarde para recordarmos, para nos (re)descobrirmos. 

Hoje partilho um dos seus regressos à escrita, às memórias, ao baú do meu pai. Um regresso de que me orgulho. O regresso ao Natal da sua infância. 
Feliz Natal. 


Nesse Natal, e um pouco triste por já não ter medo, fui à chaminé e...
Ahhh...! Afinal o menino-jesus não trouxe o “Monopoly”!
Trouxe lápis de cor “Viarco”! Que bom! Trouxe um livro da “Branca de Neve”; é bom também! E chocolates! E meias...

Tinha feito o presépio: lá estava o menino-jesus: naquele ano, já numa cama de palhinha. Em frente, o burrinho e a vaquinha e algumas ovelhas de olhos muito abertos com as cabeças junto ao musgo que eu tocava todos os dias, porque era fofo e fresquinho: borrifava-o para se manter viçoso!

Também os 3 reis magos, que eu fazia avançar todos os dias 1 cm, até que, no dia de Natal, davam um salto maior para darem os presentes ao menino. Um dos reis magos era escuro, e eu pensava que ele era mau! Mas como fazia parte...

Mas havia mais: lavadeira, poço, pastor, um espelho que era água, uma ponte do tamanho dos patos, um moinho e um moleiro muito maior que o moinho!
E pus o moinho no cimo dum monte para fingir que estava lá longe, pequenino!

E lá por detrás do menino: o pai e a mãe dele, que eu trocava de posição de vez em quando, para o distrair.
A vaca e o burro, nas noites mais frias, lembro-me que os aproximava e punha-os quase em cima da cama de palhinha, para o aquecer.

A estrela, e a barraca feita duma caixa de sapatos da Monumental do Calçado, que à data, ainda não tinha o sapato grande à porta (aquele sapato que uns anos mais tarde se encheria de castanhas para um passatempo radiofónico, por altura do S. Martinho).

Também punha algodão, que era neve. E junto ao presépio um pinheiro pequenino, com bolinhas e fitas. E nas bolinhas eu via muitos presépios lá dentro... luzes não havia, eram caras.

E nesse ano, a seguir ao Natal, juntei-me com um amigo na escada do prédio, lá em cima, à entrada do terraço, e com os lápis de cor pintámos um quadrado de madeira: escrevemos as ruas e as estações de comboio, fizemos a prisão e a casa da partida, a sorte, os telefones e o gás. Conseguimos um dado. As caricas das gasosas foram peões.
Cortámos cartões e papelinhos que foram dinheiro, e jogámos muitas vezes...Muitos dias!

Porque havia meninos como nós, lá na rua, que já tinham um “Monopoly”, mesmo a sério, e que não nos deixavam jogar com eles.

Só para chatear, o nosso tinha muito mais dinheiro do que o deles, e jogávamos às vezes... Duas vezes seguidas, para passar na casa de partida mais depressa e receber 2 contos muitas vezes!


Feliz Natal!

Luís Alves

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Carta a tod@(s) @s Pais, “Natais”, ou não...


Querid@s P@is,

neste Natal e porque na maioria dos dias até me fui portando bem, agradeço que consigam fabricar com a ajuda dos vossos duendes, sejam eles mais velhos, mais novos, mas acima de tudo que vos ajudem realmente, os seguintes presentes:

-        um OLHAR sério, presente, verdadeiro, que estabeleça mesmo contacto com o olhar dos vossos filhos durante mais de 10 minutos e apenas para olhar, ver e observar;
-        um SORRISO, daqueles grandes, que sei que têm e já vi, de satisfação, orgulho e agradecimento pelos vossos filhos serem da melhor forma que conseguem ser, por cada momento pequenino em que foram tão bons para vocês;
-        um ABRAÇO grande, apertado, bem juntinho, até os vossos filhos dizerem: “- Ai mãe/pai estás a apertar muito!”, acompanhado de todo o carinho de p@is, e que eles tantas vezes me mostram que podia ajudar;
-        uma TARDE ENORME, de filmes, brincadeiras, correrias, preguiça ou cócegas em que o que mais conta é estarem com os vossos filhos e só com eles, mostrando que desligam o telemóvel, que o deixam no quarto, que não haverão computadores e que só vocês interessam;
-        uma GARGALHADA das grandes, duas ou três, de diversão com os vossos filhos;
-        um ELOGIO, ou dois ou três, ou os que quiserem, bem verdadeiros, mesmo que pequeninos e sem: “- pois, hoje está tudo bem, mas no outro dia...”
-        um PEDIDO DE AJUDA na cozinha, a dobrar roupa, para encaixar qualquer coisa, seja o que for, é preciso é que os vossos filhos sintam que são úteis e que vos ajudam;
-        Um “OBRIGAD@” por tudo e por qualquer coisinha;
-        um QUESTIONAMENTO INTERNO de si para si: conheço @ meu filh@? Do que gosta? Do que não gosta? O que @ diverte? Qual a cor favorita? Que música ouve? Que brinquedos prefere?;
-        Um JOGO de perguntas e respostas em que a premissa é conhecerem-se melhor;
-        Uma REVELAÇÃO séria e importante que será feita depois de um dia bom, ao deitar: Gosto muito de ti;
-        Um PEDAÇO DE TEMPO só para si (mais do que 5 minutos!), pai/mãe, para relaxar, descansar, respirar e cuidar de si.

Se possível, e não for pedir muito, que os presentes possam repetir-se com a regularidade possível durante todo o ano.  
Qualquer dúvida, ajuda ou coragem no fabrico dos presentes é só escrever de volta.

Um Feliz Natal, 
Rita Castanheira Alves