segunda-feira, 26 de outubro de 2015

E foi assim... Apresentação do Livro "A Psicóloga dos Miúdos" e conversa aberta

E no Sábado passado foi assim... Um chá quentinho, com uma conversa quentinha em que os pais se sentiram mais ouvidos e acolhidos e a Psicóloga dos Miúdos também. :)
Uma conversa tranquila, que foi viajando de tema em tema e teve como mote o Guia para todos os Pais "A Psicóloga dos Miúdos".
Obrigada a todos os presentes e ao Banana Salgada. É bom conversar, partilhar, parar de vez em quando para ganhar fôlego para continuar o desafio de ajudar a crescer os miúdos!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

APRESENTAÇÃO DO LIVRO A PSICÓLOGA DOS MIÚDOS: GUIA PRÁTICO PARA TODOS OS PAIS DE RITA CASTANHEIRA ALVES E CONVERSA no BANANA SALGADA


No próximo Sábado, dia 24 de Outubro de 2015 pelas 17h30 terei o prazer de estar no Banana Salgada, a apresentar o meu livro "A Psicóloga dos Miúdos - Guia Prático para todos os pais", que servirá de mote para um espaço de conversa livre, descontraída e aberta a todos os pais e outros participantes, onde todos poderão partilhar as suas preocupações, conquistas, desabafos e dúvidas. 

Poderá ainda adquirir o livro directamente comigo nesse dia.

Gostava de contar consigo! Até lá!

Rita Castanheira Alves




Contactos:


Morada: 
Avenida do Parque nr 72 Loja Direita 
Fitares 2635 Rio de Mouro

domingo, 18 de outubro de 2015

Uma tarde chuvosa de Domingo dedicada ao desenvolvimento emocional dos miúdos. Nada aborrecido, totalmente divertido!


 Hoje, Domingo de chuva, ficar em casa com os miúdos pode ser a melhor hipótese. Desliguem a televisão, os computadores e consolas e deixem as limpezas e arrumações de lado. 

Que tal um final de tarde de desenvolvimento emocional? 
Miúdos mais capazes, mais tranquilos, mais seguros e mais felizes. E na verdade, adultos também. 
Ficam as sugestões de exercícios rápidos, fáceis, divertidos e eficazes.
 
Partilho consigo um conjunto de exercícios fáceis de aplicar, de fácil integração no dia-a-dia e que tornarão toda a família emocionalmente mais letrada. Recomendado para pais, avós, tios, crianças e adolescentes.

Exercício 1 — Reciclagem de pensamentos
Construam uma tabela dois por dois. Do lado esquerdo da folha, escrevam pensamentos difíceis e preocupantes para a criança ou para o adolescente (por exemplo: «Eu não vou conseguir passar de ano» ou «nunca vou conseguir ter amigos»), do lado direito, os pensamentos reciclados, isto é, os pensamentos mais realistas, objectivos e positivos (por exemplo: «Tenho estudado para tentar ter boas notas» ou «posso tentar ser simpático para os meus colegas»).
O objectivo do jogo é tentar substituir cada pensamentos difícil por um pensamento reciclado e mais positivo.

Exercício 2 — Tabela das emoções
Construam uma tabela com os dias da semana. Diariamente, cada elemento da família pode desenhar ou escrever a emoção que dominou o seu dia. Se demonstrar vontade de o fazer, pode falar sobre a emoção e aquilo que a provocou.

Exercício 3 — P-E-S-C-A
Descrever situações do dia-a-dia de cada elemento da família e nomear pensamento, emoção, sensação e comportamento. Conversar sobre esses quatro items. Sugerir possíveis alternativas de acção que pudessem ser mais ajustadas ou valorizar as alternativas escolhidas.
Um exemplo concreto deste exercício:
·       Situação: O teste de matemática.
·       Pensamento: «Vou ter negativa!»
·       Emoção: Ansiedade.
·       Sensação: Palpitações aceleradas, dor de barriga e agitação motora.
·       Comportamento: Não ir ao teste.
·       Alternativa: «Respirar fundo, lembrar-me de que estudei, ir fazer o teste e dar o meu melhor.»


Exercício 4 — Música e emoções
Ponham música variada, de ritmos acelerados a baladas.
Fechem os olhos e foquem a vossa atenção no corpo. Falem sobre as emoções que cada música vos faz sentir.

Exercício 5 – Desenho e emoções
Ponham música variada, de ritmos acelerados a baladas. De volume alto a volume baixo.
Ao mesmo tempo, a criança ou o adolescente vai desenhando, com lápis de cores diversas, o que a música lhe vai suscitando.

Exercício 6 — A emoção surpresa
Cortar pequenos quadrados de papel. Em cada um, escrever uma emoção. Dobrar os papéis e colocá-los dentro de um saco. Sem olhar, aleatoriamente, cada participante, à vez, deverá tirar um papel e lê-lo para si, sem revelar o que lá está escrito.
O participante deverá partilhar uma situação, sensações e comportamentos associados em que já experienciou, ou viu experienciar, a emoção escrita no papel que lhe calhou. Os restantes participantes deverão adivinhar que emoção está a ser descrita.

Exercício 7 — Caça ao ovo emocional
Construam ovos em qualquer material à escolha (em alternativa, poderão ser bolas) e em cada um pintem diferentes expressões emocionais.
Um dos elementos da família esconde os ovos na sala, no quarto ou pela casa. Os restantes elementos deverão procura-los. Cada vez que alguém encontra um, deve nomear a emoção encontrada e uma situação em que já a sentiu.
Nota: Poderá adquirir os ovos em madeira numa retrosaria; se não quiser pintar as caras, poderá imprimi-las, encontrando-as na Internet. Poderão criar alternativas na caça ao ovo emocional (encontrar e ter de mimar a expressão para os restantes elementos adivinharem, dizer quando é que a sentiu, nomear sensações corporais associadas à emoção, etc.)

Exercício 8 – Mímica das emoções
Aproveitando os papéis do exercício 6, cada elemento tira um do saco e deve, através de gestos e mímica, representar a emoção para os restantes elementos.

Exercício 9 — Exercício da raiva
A raiva é uma das emoções que os pais têm mais dificuldade em ver nos filhos, sendo também muito difícil ajudá-los a lidar com os efeitos da mesma.
Costumo, com crianças e adolescentes que sentem muita raiva ou frustração, fazer um conjunto de exercícios focalizados nessas emoções mais intensas. As regras são: não nos magoamos a nós próprios, não nos magoamos um ao outro e não estragamos o que não é para estragar.

-   Escolher uma revista que se possa estragar e rasgar folhas sem parar, com muita força e rapidez;
-   Pegar num lápis de cera, da cor escolhida pela criança (ou pelo adolescente) e que esta associe à raiva ou à frustração, e riscar com muita força uma folha inutilizada, durante o tempo que se quiser;
-   Gritar para dentro de uma almofada (pôr a almofada encostada à boca e gritar);
-   Bater palmas repetidamente, com força e intensidade;
-   Escrever num papel tudo o que nos está a fazer sentir raiva e depois rasgá-lo e deitar fora;
-   Andar muito rapidamente de um lado para o outro;
-   Saltar muito e alto;
-   Dar murros numa almofada, na qual seja permitido fazê-lo;
-   No final, sentar ou deitar e respirar fundo, calmamente. 

Rita Castanheira Alves
* Exercícios incluídos no capítulo 9 - Literacia Emocional - chave para o sucesso de um filho no
 Livro A Psicóloga dos Miúdos - Guia prático para todos os pais. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que NÃO dizer ao seu filho neste ano lectivo


São muitos desabafos, irritações, perguntas e ralhanços que mesmo sem se querer, se diz quando se tem filhos em idade escolar. Mas vale a pena lembrar, que apesar de tentadores, são verdadeiros destruidores de sucesso, felicidade e saúde mental do tempo escolar.


Chamei-lhes: As tentações de pais a evitar este ano lectivo.

Sim! Até e principalmente dos pais, que querem todo o sucesso e felicidade dos filhos.



  • Já te esqueceste do ano passado? Vê lá se vai ser igual...

Águas passadas não movem moinhos. Só o lembrará do que não correu bem, que certamente já foi falado, punido e por isso deve ser arrumado e não voltado a relembrar, provavelmente apenas trará uma atitude que não será em nada proveitosa;



  • Estou para ver o que vai ser este ano, olha que as minhas expectativas estão mesmo lá em baixo!

Se o pai/mãe for o primeiro a pôr as expectativas excessivamente baixas, provavelmente o seu filho corresponderá às mesmas, porque sai da casa partida com receio, pouco entusiasmo e como se o ano lectivo fosse uma competição dura, aborrecida e zangada, em que parece que o primeiro lugar já está ocupado.



  • És uma desilusão.

Os filhos não servem para des(iludir) os pais, esse não poderá ser o papel de nenhum de nós, nem de nenhum deles. E na verdade esse desabafo serve para quê?



  • Eu já sei que não vai ser excelente, mas pelo menos vê lá se fazes o mínimo.

Não acreditar na capacidade do seu filho e mostrar que se duvida é receita certa para que seja mesmo só cumprindo o mínimo. E ainda por cima sem qualquer efeito positivo na auto-estima.



  • Não fazes mais do que a tua obrigação.

E será mesmo uma obrigação? E será que aos 11 anos é útil sentir que é uma obrigação? Os adultos que trabalham também gostam de sentir que mesmo o trabalho podendo ser obrigatório, pode ser cativante, envolvente e sentir-se bem no mesmo. E será que quando têm um desempenho muito bom no trabalho não é mais do que a sua obrigação?



  • Abaixo de 85% é péssimo.

Cuidado com o que se exige e com o recurso aos extremos e exageros. Costuma desmotivar de forma eficaz e ainda por cima contribuir para a prejudicial sensação de constante insatisfação e falha, receitas excelentes para construção de fraca resiliência e baixa auto-estima.



  • Quero ver o que fazes para mim este ano.

Os filhos não “fazem” resultados escolares para os pais.



  • Quando eu era da tua idade, era tudo bem mais difícil e eu conseguia sempre ser bom a tudo.

Os exemplos da nossa infância e adolescência podem ser inspiradores, cativantes e entusiasmantes para os filhos, mas não quando são usados de forma a que sintam que constantemente não conseguirão “chegar” onde os pais chegaram.



  • Tens excelentes notas a Educação Física mas isso não conta.

Não vem na pauta? Não é uma disciplina? Não envolve competências essenciais? Não pode contribuir para a auto-estima, empenho e motivação do seu filho? Não pode ser essencial para o futuro?



  • Tens de ler este livro porque o ano passado não estudaste nada, é um castigo.

Ler é uma actividade tão importante e tão rica, mas se for posta como um castigo, provavelmente nunca o será, de forma alguma, em tempo algum.



  • Não, não há tempo durante a semana para mais nada, sem ser escola, trabalhos e estudo. O que queres?

Provavelmente terá de haver, nem que seja meia hora. Como se sente quando passa por isso  dia após dia?



Vale a pena tapar a boca e reformular as frases ou simplesmente, reflectir antes e escolher conscientemente quem quer ser e como quer estar com o seu filho neste ano lectivo.



Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Segredos para que o seu filho seja um aluno brilhante este ano lectivo? Então todos os dias... Esqueça a escola



O ano lectivo chega e a escola domina as casas das famílias com filhos em idade escolar. E geralmente domina de forma pesada, excessiva e pouco eficaz. Todos querem que os miúdos sejam bem sucedidos, mas às vezes, há grandes hábitos que são esquecidos e levados pelo cansaço, pela prioridade, pelo stress. E muitos deles envolvem deixar a escola... Na escola. Um bocadinho, todos os dias. 

  1. Um elogio por dia não sabe o bem que lhe fazia: todos os dias encontre uma razão para elogiar o seu filho. Sim, mesmo que a razão que encontre seja muito pequenina e pareça insignificante, terá muito significado para o seu filho e fará magia. Sim, mesmo nos dias que houve uma queixa ou uma nota mais baixa;

  1. Conheça o seu filho: encontre formas de saber quem é o seu filho, muito além de ser aluno e de querer muito que esteja atento, não faça disparates, estude e mostre o que vale. Que música ouve? O que faz nos intervalos? De que cor gosta? O que pensa? Será que se sente feliz? Precisa de ajuda? Qual o passatempo favorito? O desafio é conseguir ter conversas com o seu filho que não envolvam notas, estudo e testes;

  1. Riam juntos: não se esqueça de se rir com o seu filho, mesmo quando há horários a cumprir, as manhãs são difíceis e os trabalhos-de-casa parecem infinitos e já é hora de ir dormir;

  1. Transmita-lhe confiança e coragem: Não passe a vida a dizer-lhe: “- Assim não dá, já sei o que vai acontecer, vai ser igual ao ano passado pelo andar das coisas e da tua postura.” Isso só o alivia a si, como desabafo e frustra mais o seu filho ou ainda o “desliga” mais dos seus objectivos académicos. Vibre com ele, transmita-lhe confiança e coragem, mostre que acredita no que ele é capaz e ajude-o a encontrar pontos positivos no empenho e trabalho;

  1. Um dia por semana, esqueçam os trabalhos-de-casa, o estudo, o jantar e até, quem sabe, o banho: num dos dias da semana opte por salada, pizzas, sopa ou tostas. Ninguém ficará doente, perdido, desorganizado se uma noite por semana fugir à rotina, ao jantar, às obrigações. O objectivo é estarem em família, esquecerem o dia difícil e usufruírem da companhia uns dos outros, deitados no sofá ou no tapete a jogar, ou na cama a fazer festinhas e a conversar. Sem qualquer eficácia, se os pais tiverem a tentação de usar esse tempo para ralhar, fazer sermões ou estiverem “amuados”;

  1. Acredite quando atribui e divide tarefas: divida tarefas com os filhos: contar guardanapos, fazer listas de comprar, dobrar meias, levar roupa para o quarto ou dobrar toalhas, só é preciso saber contar e já agora treina a motricidade. Mas quando atribui, encare o momento com seriedade, acreditando no que está a fazer, com entusiasmo e nos primeiros tempos, ajude, relembre, mas não desista.

  1. Olhe para o seu filho: olhe, mas olhe mesmo, olhos nos olhos, todos os dias, com aquele olhar de “Estamos juntos, dê por onde der.”

Vale a pena experimentar. Um dia, hoje ou amanhã, o seu filho vai agradecer.

Excelente ano lectivo!

Rita Castanheira Alves

FOTO: http://summercupcake.blogspot.pt/2013/01/depoimentos-para-pai-fake.html

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Porque no Pré-Escolar há muito para fazer e aprender, antes de ler e escrever

Mais uma colaboração da Psicóloga dos Miúdos, desta vez, com a Revista Visão, na edição publicada ontem, Quinta-feira, dia 3 de Setembro. Um artigo sobre o ensino pré-escolar. Uma participação muito breve, mas num tema que deve ser pensado, reflectido e debatido. 

Já leram?


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Porque "desenvencilhar-se" faz parte da vida e do crescimento...


 Como prometido partilho as perguntas e respostas completas que serviram de base às opiniões do artigo da Revista Sábado "Se estiveres longe de mim, faz isto". 

Porque aprender a ser "desenvencilhado" é importante!

1.     Acredita que é necessário os pais conversarem com os filhos sobre situações limite e o que devem fazer? Seja perderem-se no supermercado, serem abordados por estranhos ou verem o pai/mãe sentir-se mal e sabe o que fazer…

Acredito que é importante à medida que as crianças vão crescendo e estando em diversos contextos, ir dando-lhes a conhecer as realidades em que estão, suas características, ajudando a antecipar situações e o que elas envolvem, ajustando ao nível de desenvolvimento da criança e sempre com alguma tranquilidade. O objectivo é ajudá-las a agir e não a bloqueá-las.  

2.   É saudável para as crianças pensar no que pode acontecer ou por outro lado pode causar ansiedade?

Depende da forma como for feito, conversado e apresentado. Se uma criança está numa fase normativa de medo excessivo de se perder dos pais pode ser extremamente ansiogénico acrescentar novos dados e informações sobre a possibilidade de se perder. No entanto, nunca falar nem prevenir, nem a informar nem capacitar pode comprometer de certa forma a sua autonomia, a sua capacidade de sentir que tem controlo, a capacidade de resolução de problemas e é capaz em situações mais difíceis. Por vezes, aproveitar as situações do dia-a-dia e de forma tranquila e sem catastrofizar é uma excelente forma de ir conversando sobre perigos. 


3.   A partir de que idade acha que é razoável ter este tipo de conversas? Ou pode ter-se desde muito cedo desde que se adapte o discurso?

A idade é importante mas mais do que isso, é conhecer as características da criança, o seu nível de desenvolvimento emocional, cognitivo, social e pessoal. Adaptar sempre o discurso, para que a criança compreenda e o objectivo seja cumprido: muni-la de estratégias de resolução de problemas e dar-lhe controlo e autonomia. Fazê-lo gradualmente, para que o excesso de autonomia não se transforme em ansiedade excessiva ou preocupações constantes que não são para as crianças. 

4.   E deve ser um discurso sério ou, em certas ocasiões, mais como se fosse um jogo para eles captarem melhor?

Tudo depende da criança, da sua idade, nível de desenvolvimento e características individuais. Ser criativo na educação pode trazer muitos ensinamentos às crianças e ao mesmo tempo, conversar com elas com alguma seriedade (seriedade não significa rigidez ou autoridade) desde pequenos quando é necessário também é importante. Aproveitar situações do dia-a-dia, algum filme ou uma história de um livro ou uma notícia pode ajudar. Com os adolescentes, resulta entrar no quadro de referência deles e adaptar o que se pretende transmitir ao que gostam e lhes chama a atenção. 

5.   Agora que estamos ainda em época de férias, a que devemos ter maior atenção na praia ou em passeios no campo? Que estratégias podemos adoptar?

É um excelente momento para estarmos com mais disponibilidade e calma com os filhos e conhecê-los melhor. São oportunidades para os ajudar a desenvolver autonomia, arriscar e ajudar a ponderar riscos e resolução de problemas. Ajudá-los a serem eles a “levar-nos” no caminho do passeio, para aprenderem eles o caminho, a dizerem como está o mar, que bandeira está, perguntar-lhes a cor do chapéu de sol e a perceber em que sítio está, a proporcionar novas experiências em que a ajude a arriscar com consciência. 

6.     Em alguns artigos estrangeiros encontrei o que se deve ou não fazer. “Não fales com estranhos” era algo que diziam para não fazer – e, por outro lado, especificar, “não vás a lado nenhum sem pedir autorização ao pai e à mãe”. Na sua opinião, quais são as regras a decorar, do que se deve e não deve fazer?

Acima de tudo, ajudar com o maior equilíbrio possível, a educar crianças e adolescentes conscientes, capazes, autónomos, que arriscam mas ponderam os riscos e que reflectem, que questionam dentro do que conseguem antes de agirem, que confiam nos pais e no que estes lhes dizem, especialmente na infância. Acima de tudo, criar o hábito de conversar em casa sobre o que se faz, pensou ou se anda a fazer, seja certo ou errado, bom ou mau. 

7. Tem encontrado casos deste género na sua vida profissional? 

Tenho encontrado de tudo: miúdos que até muito tarde não desenvolveram a autonomia, ficam aflitos perante a imprevisibilidade, que não sabem lidar com nenhuma situação nova, que são sobreprotegidos até muito tarde, mas também miúdos que desde demasiado cedo resolvem tudo sozinhos, seja assuntos de “crianças”, seja de crescidos e isso também os obriga a crescer excessivamente rápido.
Da minha experiência clínica, pais que conversam em casa, que acompanham, que proporcionam novas experiências adaptadas à criança/adolescente e ao seu nível de desenvolvimento, que os ajudam a sair da zona de conforto, sem sair da zona de segurança, que os ajudam a errar e a arriscar, que criam situações novas, que conhecem a realidade dos filhos e conseguem lembrar-se como é ser mais novo, proporcionam melhores ferramentas para os filhos serem mais capazes na prevenção de situações perigosas ou imprevisíveis.