domingo, 5 de abril de 2015

Uma Páscoa divertida e cheia de emoções!

Uma tarde de Domingo de Páscoa divertido e especial, com uma caça aos ovos... Diferente. Uma caça ao ovo emocional.
Os ovos emocionais do consultório da Psicóloga dos Miúdos

Material:
ovos de chocolate
lápis
papel

Como fazer?

A seguir ao almoço, envolvam os ovos com papel branco ou outro qualquer à escolha. Desenhem caras com diferentes emoções. 
Um dos elementos da família esconde os ovos na sala/quarto ou pela casa. Os restantes elementos deverão procurar os ovos. Cada vez que encontra um, deve nomear a emoção e uma situação em que já sentiu a emoção encontrada.
Nota: Se não conseguirem pintar as caras, poderão imprimi-las, encontrando-as na internet. Poderão criar alternativas na caça ao ovo emocional (ex: encontrar e ter de mimar a expressão para os restantes elementos adivinharem; dizer quando já sentiu; nomear sensações corporais associadas à emoção.) 



Acima de tudo, e o mais importante, é que os miúdos vão adorar a tarde de Páscoa!
Gargalhadas, entusiasmo e curiosidade são os comportamentos esperados e que não vão faltar.
Depois, foi uma tarde preciosa de desenvolvimento emocional, ingrediente chave para o crescimento saudável dos seus filhos!

No consultório da Psicóloga dos Miúdos, a caça ao ovo é sempre um sucesso e com resultados excelentes. E sem chocolate! ;)

Páscoa feliz!

Rita Castanheira Alves

quinta-feira, 19 de março de 2015

A todos os pais que ajudam a "saltar"!


Ao meu pai. 

Esta é a história de um salto para o mar. Um salto de um pontão alto. Uma história de um salto para a autonomia.
O rapaz chegou, num dia de sol, a Cascais. Ao pontão onde todos os Sábados, sempre que o Sol sorria, lá estavam os miúdos de ranho no nariz e pele queimada de horas de autogestão, sem protecção solar. O rapaz observava-os: barulhentos, diziam asneiras, daquelas que em casa lhe diziam que eram proibidas. Riam-se e gritavam enquanto se deixavam ir, num grande salto para o mar. Do pontão para o mar. Ele sabia que eles podiam, porque eram os miúdos da rua, que desde cedo andavam sozinhos nas ruas de Cascais e tiravam os calções, dando mergulhos de cuecas. O rapaz não tinha autorização para o fazer, achava ele. Era perigoso e o pai não ia permitir. Mas a curiosidade foi crescendo, à medida que o rapaz cresceu e ele queria muito dar um mergulho do pontão. Ser um daqueles miúdos, naquele momento, que saltavam para dentro de água e gritavam cheios de energia e diversão.
Primeiro com a mão dada ao pai, depois sem a mão, já se podia aproximar para ver. Um dia, na praia do pontão, o pai do rapaz disse-lhe: “ - Queres experimentar saltar?” O rapaz arregalou os olhos, o coração disparou e o sorriso formou-se: “- Do pontão?” O pai confirmou com a cabeça. O rapaz disse-lhe que sim, entusiasmado mas nervoso. O pai explicou-lhe:
“ - Temos observado como fazem os miúdos que vêm para aqui há muito tempo. Tu tens observado. Vais agora observar sozinho, de perto e com muita atenção e perceber como é que eles fazem, para onde mergulham, de que forma e com que cuidados. Depois de observares e perceberes, estás preparado para experimentar.”
O rapaz sentiu-se a tremer por dentro, um tremer de adrenalina que gostou de sentir. Sugeriu que o pai viesse com ele. O pai disse-lhe: “ - Eu não quero ir. Eu fico aqui a ver-te. És tu que queres saltar, podes ir saltar depois de perceberes bem como é que os outros miúdos fazem. Nadar já sabes, por isso podes ir sozinho.”
O rapaz respirou fundo, virou as costas ao pai e aproximou-se dos rapazes. Durante 10 minutos observou, examinou, estudou e aprendeu qual seria o melhor ângulo, que força dar ao salto, onde mergulhar, como voltar para cima. Esfregou os olhos, ajeitou o cabelo encaracolado, já seco do tempo de observação e saltou. Saltou do pontão, para o local onde saltavam os miúdos, na mesma posição que os miúdos.
O pai viu, com o coração lá dentro de si um bocadinho apertado, mas por fora com um sorriso tranquilo, um olhar observador e um acenar que dizia sem dizer: “ – Tu já és capaz. Eu sei que és e tu serás.”
O rapaz conseguiu e nessa noite sonhou com um troféu num concurso de mergulhos.
Este salto foi um salto de autonomia. Dos grandes, mas para o qual o rapaz estava preparado. E o pai também. O rapaz hoje é um adulto, pai como o seu, ou ainda não. Mas dá saltos, daqueles grandes e de grande responsabilidade, quando é preciso e lembra-se do acenar do pai que dizia sem dizer, naquele dia e noutros: “ – Tu já és capaz. Eu sei que és e tu serás.”

Rita Castanheira Alves

terça-feira, 3 de março de 2015

Por favor, abra uma excepção: com os seus filhos, quando se tornarem adolescentes.

Quem nos mantém à distância, não nos procura, não partilha o que se passa e nos fala torto, geralmente afasta-nos.
Isto é mesmo assim, na vida, com quem nos rodeia, com os amigos de sempre ou aqueles mais recentes.

Mas por favor, abra uma excepção: com os seus filhos, quando se tornarem adolescentes.

Daqueles calados, faladores mas refilões, que insistem em ficar no quarto, que sentem que não são compreendidos e que é melhor falarem toda a noite no whatsapp com os amigos ou publicarem no facebook como estão irritados ou frustrados. Dos filhos que respondem torto, que entram no carro e ficam calados, aos que respondem por monossílabos.

A vontade é calar-se, se calhar nem sequer tentar, para não se irritar com a maneira torta de falar ou o ar de seca com que responde. A vontade é deixá-lo estar e esperar que cresça ou que esteja melhor ou que finalmente vá ter consigo e fale. Mas enquanto crescem e não crescem, enquanto ficam excessivamente calados e incompreendidos, vale a pena abrir a excepção e não ficar igualmente calado, a dar todo o espaço. O perigo é esse espaço ficar excessivamente grande.

Envie um email com algo que possa interessar ao seu filho ou simplesmente com uma piada, deixe-lhe um presente simbólico em cima da secretária, passe a ser o pai que escreve SMS e de vez em quando deixe-lhe um beijo ou um abraço através das tecnologias. Vá dando abraços e mostrando entusiasmo quando o vê, alegria por estarem juntos e manifeste que faz questão que passem tempo juntos. Corte do jornal um artigo sobre um ídolo do seu filho e dê-lhe ao final da noite, antes de ir dormir. Diga-lhe, escreva-lhe, desenhe que gosta dele. Não o faça para toda a gente ver, só para o seu filho.

A resposta pode não ser nenhuma, um dia mais torta, outro dia só um "hum". Dê-lhe espaço, sim, mas não deixe de lhe mostrar que está ali mesmo, sem invadir o espaço, mas no espaço.

Por favor, respire fundo, mas por favor abra uma excepção.

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Porque é Carnaval... Ninguém leva a mal...

Porque é Carnaval deixa-me mascarar de super-herói, mãe...
Deixa-me experimentar o papel de princesa quando todos dizem que sou um princípe, deixa-me usar cabelos compridos de rapariga, pai.
Porque é Carnaval, pai, deixa-me pôr um bigode de rapaz e vestir as calças do mano.
Porque é Carnaval, vou pintar as unhas, vou ser uma bruxa ou um vampiro. Deixa-me vestir uma roupa que inventei, mas que é a melhor máscara do mundo. Porque é Carnaval, deixa-me pintar os olhos, pôr purpurinas no cabelo e usar aquelas luvas de renda, mãe.
Porque é Carnaval deixa-me vestir a pele de quem quiser, experimentar estar noutros sapatos e sentir o mundo noutras personagens. Deixa-me ensaiar e libertar-me porque é Carnaval.
Porque é Carnaval... Ninguém leva a mal...

Aproveite o Carnaval e a vontade dos seus filhos quererem vestir outras peles, para lhes permitir e facilitar o ensaio de outras identidades, outros papéis, outras situações, fundamental durante a infância e adolescência para a construção da(s) identidade(s).


Rita Castanheira Alves
 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Birras. Preveni-las e exterminá-las. Dicas para PAIS.


Se é pai/mãe já ficou com os cabelos em pé com as birras do seu filho. E se não ficou, lamento, mas irá ficar. Há momentos em que parece já ter tentado tudo e nada resultar, outros em que simplesmente desiste e outros em que se sente determinado(a) a resolver de uma vez por todas a situação. Comece por prevenir. Depois, sempre que necessário intervenha. Em breve, as birras passarão à história. Virá outro desafio...

Prevenção
Mais vale prevenir do que remediar...

É essencial, diariamente e de forma consistente, trabalhar na prevenção das birras, ou seja, no “antes que aconteçam”:

§  Demonstrar respeito - estar disponível para a criança, escutar atentamente o que tem para dizer, dar respostas às perguntas da criança, adequadas à sua idade, dirigir-lhe ateno﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽rigir-lhe atenergunta sempre adequando , para que tendam a diminuir e no da mesma. ade, afirmaçs.ção privilegiada, nivelar-se fisicamente com  ela, sorrir;

§  Elogiar, reforcar positivamente os comportamentos adequados - perante comportamentos adequados, dar elogios imediatamente a seguir aos comportamentos. Assim, permite-se à criança perceber o que se espera dela e o que tem consequências positivas;

§  Fomentar a auto-confiança da criança - criar o hábito de lhe pedir ajuda e colaboração em tarefas, transmitindo-lhe o agrado por ajudar, criando situações em que seja bem-sucedida e possa brilhar;

  • Ser consistente e coerente - Os pais devem estar em sintonia na aplicação das regras e limites e cumprir até ao fim o que estipularam. O casal parental deve apoiar-se mutuamente no momento de dar uma ordem ou ralhar com a criança, mesmo quando estão separados. Em caso de discórdia, deverão conversar sozinhos e não se desautorizarem à frente da criança;
§  Manter a calma, firmeza e confiança - Ao prevenir deve definir claramente, de forma objectiva e simples o que pretende. Deve ser afirmado e não questionado: “Tens de ir...” ou “Agora vais...”;

  • Antecipar – O tempo estipulado para actividades deve ser cumprido e a criança deve ser avisada do aproximar do fim das actividades; 
  • Comunicar pela positiva- Ao comunicar deve fazê-lo de forma clara e pela positiva, dizendo “quando...(ex: acabares de comer tudo), então depois (ex: podes ir brincar)” em vez de “se não fizeres... não podes”.

No entanto, apesar da prevenção poder de facto evitar algumas birras ou facilitar a gestão das mesmas e ser a melhor forma de lidar com as birras, inevitavelmente há algumas que não se previnem.
É importante perceber se é uma birra de resolução fácil, porque a criança está adoentada, impaciente, está aborrecida ou stressada ou teve um dia menos bom. Nestes casos, um abraço, uma brincadeira especial, uma massagem pode chegar para acalmar um dia difícil.

Intervenção
Quando prevenir não é suficiente...

No caso de birras  que testam os limites e as regras e são apenas reflexo do crescimento ou são verdadeiros pedidos de limites e regras, intervir sempre:

  • Manter a calma, respirar fundo e lembrar-se “Eu sou o adulto, isto faz parte e eu vou conseguir– tentar manter uma postura tranquila mas séria, que transmita confiança, não alterando o tom de voz em demasia, repetindo calmamente e no mesmo tom o que se pretende que a criança faça, mas tornando-o mais sério, não mais ansioso ou descontrolado.

  • Palavra-passe - combinar com a criança uma palavra que é usada para “expulsar” as birras, transmitindo-lhe convictamente, a ideia de que é possível combater a birra e evitá-la. Valorizá-la sempre que conseguir;
  • Dar uma solução – dizer em tom calmo, sério e repetido como poderá solucionar a birra e dar-lhe um tempo para isso:“ – Vamos respirar enquanto conto até 10 devagarinho. Quando chegar ao fim, vais conseguir mandar a birra embora e juntos vamos descobrir uma forma de resolver a situação que te aborreceu.
  • Não ser um disco riscado -  O debate entre os pais e a criança no momento de cumprir regras deve ser evitado e a criança deve ser avisada não mais de duas vezes antes dos pais lhe mostrarem o que pretendem. As ordens dadas devem ser possíveis de ser cumpridas. Evite cair na tentação de justificar em demasia cada regra que dá. Basta dizer “- Temos de ir para a mesa, vamos arrumar os brinquedos”;
  • Extinguir - tentar não dar importância a um protesto face ao que disse e manter o que foi dito;
  • Fazer birras cansa – embora também canse os pais, a verdade é que a criança há-de cansar-se com a sua própria birra. Dar tempo para isso, procurando manter o que foi dito e dando-lhe a solução pela positiva: “- Quando parares podemos falar”. “- Quando parares podemos juntos encontrar uma solução”; 
  • Não deixar que a birra leve ao resultado pretendido – procurar não reforçar a birra, ou seja, se a birra foi feita para obter alguma coisa, não dar a consequência pretendida com o intuito de parar a birra.
Se nada disto parece estar a resultar... Peça ajuda. A Psicóloga dos Miúdos pode colaborar consigo. 

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os adolescentes também fazem birras?


Quem tem filhos adolescentes, sabe do que falo. As birras dos adolescentes, que às vezes têm parecenças com má-educação... 
Aquela forma feia de falar, gritar em vez de explicar, bater com a porta ou ficar amuado o jantar todo, porque no fim-de-semana não pode ir sair. 
Já não é um miúdo pequeno, mas ainda faz umas birras. Já não fica de castigo, sentado, a pensar na vida, mas há muito que ainda vale a pena fazer. Em vez de birras, podemos chamar-lhe má-educação? 

Saiba prevenir e remediar quando necessário com os adolescentes...
 Dicas específicas para pais com filhos adolescentes

-        Negoceie: escolha como primeira opção a negociação, encontrando um espaço para diálogo sobre o que o seu filho pretende e o que lhe parece a si adequado. Encontrem um consenso e estabeleçam horários, regras e condições para conseguir determinado objectivo;

-        Respeite: respeite o espaço e a privacidade do seu filho, só assim conseguirá o respeito pelas suas regras, limites e condições;

-        Conversem diariamente: promova momentos diários de conversa livre e sem qualquer juízo ou tom negativo, mostre interesse e curiosidade pelo que o seu filho gosta. Perante a possível recusa do seu filho, respeite o seu silêncio, mas mantenha-se disponível para conversar e não desista;

-        Adie a conversa: Sempre que tenha uma divergência com o seu filho e se estiverem demasiados nervosos, não têm tempo ou porque estão num local inadequado, tente sempre adiar a conversa combinando com o seu filho o momento adequado para o fazer;

-        Evite acusações: Ao abordar com o seu filho um problema ou conflito procure adequar a sua linguagem, inibindo ao máximo um discurso meramente acusatório de atribuição ao seu filho da responsabilidade total pelo problema, tentando encontrar uma abordagem que não o culpe somente a ele, mas assumindo a sua responsabilidade na manutenção do problema. Por exemplo, em vez de dizer: “ – És egoísta... Estou sempre a dizer-te para dividirmos as tarefas, mas tu só pensas em ti e fica todo o trabalho para mim!”, experimente dizer: “ – Tenho acabado por fazer eu todas as tarefas que tínhamos combinado dividir e por isso não tens necessidade de as fazer?”
-        Fale por si: Ao expor a sua perspectiva procure sempre falar na primeira pessoa, especificando o mais possível o problema e expressando a sua emoção face ao problema. Por exemplo: “- Quando chego a casa e percebo que não arrumaste os livros como tínhamos conseguido acordar, sinto-me desanimada.”;
-        Escute e empatize: Procure escutá-lo ativamente, sem o julgar, mostrando que está disposto a compreender os pontos de vista que o seu filho apresenta, as suas necessidades, objectivos e interesses, manifestando assim o que também espera da parte dele, que compreenda as suas necessidades e pontos de vista e que está aberto para chegar a um acordo, esperando o mesmo da parte dele;
-        Avaliem as soluções: Sempre que consigam chegar a um acordo e estabelecer soluções para os problemas, avaliem em conjunto se tais soluções são viáveis e se não criam novos problemas;
-        Planeiem: Após conclusões relativamente às soluções, é essencial que, em conjunto, estabeleçam um plano de como cada solução poderá ser implementada, estabelecendo as responsabilidades de cada um, quando deverão voltar a conversar para reavaliar a situação, quando começam a implementar cada solução.

Antes e depois de tudo isto, lembre-se de se divertir com o seu filho, sempre que possível. Num abraço, num jantar divertido ou numa gargalhada. Mesmo que pequena, vai valer a pena.  

Rita Castanheira Alves