sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sim , o seu filho tem raiva!


Exercício da Raiva
A raiva é uma das emoções que os pais têm mais dificuldade em ver nos filhos e a ajudá-los a lidar com os efeitos da mesma.
Mas os filhos sentem raiva, e não estão doentes por isso, muito menos são maus por se sentirem com raiva. 
É preciso lidar com a raiva, isso sim e ajudá-los a expressarem-na seguindo três regras: não se magoarem, não magoarem os outros, nem estragarem o que não pode ser estragado. 

Para pais e filhos, sejam pequenos ou crescidos, aqui ficam os passos do exercício da raiva. 

-        Pegar numa revista que se possa estragar e rasgar folhas sem parar, com muita força e rapidez;
-        Pegar num lápis de cera da cor escolhida pela criança ou adolescente, que associe à raiva ou à frustração e riscar com muita força uma folha inutilizada, enquanto quiser;
-        Gritar para dentro de uma almofada (pôr a almofada encostada à boca e gritar para lá);
-        Bater muitas palmas, com força e intensidade;
-         Escrever num papel tudo o que nos está a fazer sentir raiva e depois rasgar e deitar fora;
-        Andar muito rapidamente de um lado para o outro;
-        Saltar muito e alto;
-        Dar murros numa almofada, na qual seja permitido fazê-lo.
-        No final, sentar ou deitar e respirar fundo, calmamente. 

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Júlia das Birras


Júlia pára!
Júlia não faças isso!
Júlia está quieta!
Júlia, outra vez!
Júliaaaaaa!!!!!

A Júlia tem 4 anos. Uns 4 anos maduros. Maduros? Sim, maduros. Quero dizer… Crescidos. É observadora, indaga tudo o que a rodeia, com os olhos redondos que nem bolas de snooker. De nariz empinado, olha para um lado, olha para o outro, sempre curiosa e em jeito de descoberta. Resolve problemas sozinha, como pedir as braçadeiras quando vai para a piscina, vestir o vestido da praia e arrumar os livros por ordem. Costuma responder quando lhe fazem perguntas, mesmo que a resposta seja: “Não sei.” É uma Júlia Madura para a idade que tem, costuma ouvir.

Há 4 meses para cá, mudaram de casa, a mãe foi convidada para ir trabalhar para um sítio que ela gosta muito. A Júlia acha mesmo que é o sítio preferido da mãe porque - fica lá tantoooo diaaaa, costuma dizer a Júlia, enquanto abre os olhos, para explicar o tanto.
Foram os 4, a mãe do novo trabalho, o pai com o trabalho antigo que o faz estar sempre ao computador a escrever palavras, o mano pequeno da Júlia, o Faustino e claro, a Júlia dos olhos redondos.
E a tartaruga Xica??? Ah, claro. E a tartaruga Xica, com quem a Júlia conversa e bebe chá.

Há 4 meses também a Júlia arranjou um novo trabalho… Dar trabalho. Dar trabalho? Uma rapariga tão Madura? Há 4 meses, o novo trabalho da Júlia é… Dar trabalho. Suspiram os pais entre um telefonema e a reunião no trabalho.
Mas afinal o que é dar trabalho? Dar trabalho para os pais é fazer birras, é fazer asneiras e disparates. E depois ouvirmos ralhetes dos pais.

Um dia, uma birra. Outro dia, um disparate. No seguinte, uma asneirola e à noite, mais uma birra.


A Júlia Madura passou a ser a Júlia birrenta. Que grande chatice.

E a Júlia rapidamente se tornou a Júlia birrenta. As asneiras, as birras não paravam de atacar, pareciam quase mais fortes que a Júlia. Não podia ser, a Júlia era tão forte, alguma coisa se passava.
Foram três meses de taaannntas birras  no restaurante, de disparates no supermercado, de fúria com a mãe, de coisas feias que a Júlia não conseguia deixar de dizer, de lágrimas e de dificuldade para cumprir regras que antes pareciam tão fáceis.
Os pais não percebiam e o trabalho novo, as reuniões, as tarefas de casa e a vida tão ocupada não os deixava perceber. Afinal o que se passava com a Júlia? De Madura a birrenta, em 4 meses?
Os pais cansados, ficaram em casa a descansar um dia, um dia sem trabalhar, sem sequer olhar para o computador. Acordaram os manos Júlia e Faustino, houve miminhos e cócegas na cama dos pais: - Iupiii! Dizia a Júlia enquanto ria e rebolava na cama dos pais. Tomaram um pequeno almoço bem grande e com muita conversa. O Faustino ficou na casa dos avós e os pais foram juntos levar a Júlia à escola e às cinco horas foram buscá-la. A Júlia não podia acreditar. Correu para o abraço dos pais e saltou com um sorriso graaannddeee. Chegaram a casa e brincaram no tapete, como a Júlia gostava, a tomar chá com a tartaruga Xica. Mas desta vez tinham convidados para o chá: os pais. E sem computadores, nem telefonemas, nem pressas! O Faustino nesse dia ficou para o jantar na casa dos avós. Perto das 7 horas e meia uma banhoca, como a Júlia gostava, lá ía ela pelo corredor fora às cavalitas do pai e no banho a espuma servia para fazer penteados: - Fecha os olhos pai, fecha. Agora abre! Xanã, o meu penteado!
Jantaram e à noite houve até tempo para história e para ouvir música calminha. A Júlia adormeceu, depois do beijinho da mãe e do beijinho do pai, com um sorriso maduro. Com o sorriso da Júlia Madura.
Nesse dia, a Júlia Madura explicou aos pais, sem explicar, que precisava de tempo, de pais e de mimos… Ensinou aos pais que é preciso parar, é preciso estar, sempre que possível, nem que seja um bocadinho.

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sete Ingredientes para um Natal mágico e pedagógico para os miúdos


Andamos na rua, e começa a cheirar a Natal. Porque há luzinhas nas montras, árvores de Natal e bolas, renas, gorros de pai natal. Começa a época das compras de presentes e os miúdos a serem invadidos por anúncios apelativos de brinquedos nunca vistos e de jogos há tanto desejados. Começa a corrida às compras, ao rechear a base da árvore de Natal de prendas e o mais importante passa ao lado e daqui pouco já estamos em 2015.
Aproveite o Natal para mais uma vez transmitir bons valores aos mais novos. Aqui ficam sete ingredientes para um Natal positivo, pedagógico, divertido e de grande contributo para o crescimento dos seus filhos.

1. Transmissão do verdadeiro significado do Natal – cada casa, seu significado, acima de tudo saber cuidar

O Natal é uma época vivida de formas distintas por cada família, havendo mesmo famílias que por questões religiosas não festejam o Natal.
As que festejam têm para si um significado particular do Natal, que depende da educação, da tradição familiar, da existência e da prática ou não da religião.
Não há uma resposta certa uma vez que não há apenas UM verdadeiro significado do Natal. É importante sim que as crianças percebam o que é o Natal, de onde vem, o que simboliza e que seja um conceito e uma época partilhada com a restante família/amigos/cuidadores.

2. O consumismo do Natal – ajudar o seu filho a lidar com tanto apelo publicitário

Esse é um trabalho diário, de todos os momentos com a criança. Apesar da publicidade ser mais proeminente durante a época natalícia, as crianças actualmente estão bastante expostas ao grande apelo publicitário. Como tal, esse é um trabalho do todo o ano: mediar a emissão da informação publicitária e a forma como a criança a recebe e o que faz dela e fora da publicidade, ter todos os cuidados com a forma como a criança trata os seus brinquedos, faz uso dos mesmos, aproveita um brinquedo, desfruta do mesmo.

3. O Natal é solidário – aproveitar a época para desenvolver a solidariedade
As acções de solidariedade, de construção da sensibilidade para a existência do outro, das condições diferentes em que outras crianças/pessoas vivem é sempre essencial para a construção do altruísmo, do combate à indiferença, da justiça na personalidade. Ao longo de todo o ano, os pais podem realizar acções envolvendo as suas crianças, não tendo de ser apenas uma acção reservada à época do Natal. No entanto, no Natal, aproveitando o facto de ser uma época de dar, porque não fazerem uma arrumação ao quarto e escolher brinquedos e roupas para quem não os tem, mas precisa? 

4. A Carta ao Pai Natal – escrever ou não escrever

A carta ao Pai Natal pode ser um documento que fortalece a fantasia e o imaginário das crianças, condições essenciais e importantes no seu desenvolvimento, como tal poderá ser escrita.
Quando bem aproveitada, é uma excelente ferramenta para explicar à criança um conjunto de valores e ideias: a partilha, a necessidade de tomar decisões, a escolha, a frustração… Os pais ao explorarem a carta da criança ao Pai Natal podem de uma forma adaptada à fase de desenvolvimento da criança desenvolver estes valores com ela e reflectir com ela sobre estas questões. Em simultâneo está a ser permitido à criança que desenvolva o seu imaginário e fantasia, tão importantes para o seu desenvolvimento, e ao mesmo tempo, que lhe comecem a ser incutidos valores essenciais para a sua vida e para a realidade em que está a crescer.
Quanto à explicação das crise financeira, como qualquer assunto da nossa realidade e que afecta o dia-a-dia da criança, poderá ser abordado de forma simples e adaptada ao seu nível de compreensão e de maturidade emocional e não é necessário esperar pelo Natal para explicar. É importante que a criança seja atenta, curiosa mas não passar uma extrema preocupação para ela, mostrar-lhe sim que os adultos cuidarão da situação e que ela com a partilha, a compreensão, a poupança à sua maneira poderá também estar a contribuir bastante, valorizando-a por isso.

5. A escolha dos presentes – sugestões adequadas a cada faixa etária

Nos primeiros 6 meses, pode-se optar por brinquedos que poderão ser coisas que temos em casa, afinal tudo é novidade para a criança: tampas de tachos, molas da roupa, colheres de pau, só é necessário ter cuidado com a escolha de objectos desinfectados e não tóxicos. Nesta fase e porque começam a observar o que os rodeia, poderão ser construídas bolas de pano, com várias cores, padrões e tamanhos para pôr no berço, ao mesmo tempo que observam podem dar pontapés nas bolas e ver o seu movimento e pode ser posto um espelho inquebrável para se irem vendo embora ainda não se reconheçam. Pode pôr-se um papagaio de papel no carrinho, gostam de ver o movimento do papagaio quando vem o vento. Nesta fase, o som também é muito atractivo, podendo pôr-se no berço, no carrinho guizos com tamanhos, materiais e cores diferentes.
O livro, inicialmente de pano ou de um material maleável, depois em outros materiais deverá ser um objecto que acompanha a criança desde sempre, mesmo no berço e é um óptima ferramenta para interacção de pais e filhos, de desenvolvimento cognitivo, da fantasia, da criatividade e uma fonte de aprendizagem.
Dos 6 aos 9 meses, canções, rimas são muito adequadas a esta fase, para os bebés que já gatinham bolas de plástico para irem atrás delas. No banho, funis, batedor de ovos manual, copos, poderão ser extremamente divertidos e úteis para o seu desenvolvimento.
Entre os 12 e os 18 meses poderão ser escolhidos brinquedos que proporcionem o encaixar, o abrir, o fechar, blocos de borracha para arrumar e desarrumar. Os brinquedos com botões que dão luz, som, mexem-se são também indicados para esta fase. Quando começar a andar, brinquedos ligados à locomoção: cadeirinha de passeio, andarilho, carrinho de plástico, jogos com obstáculos para vencer. São também importantes nesta fase, os brinquedos onde podem bater, como o tambor ou o xilofone, para que desenvolvam a coordenação muscular grossa.
A partir dos 18 meses até aos 24 meses, para estimular o desenvolvimento cognitivo poderá optar-se por brinquedos/jogos como puzzles, contas grossas de madeira para enfiar numa corda, caixas para colocar tampas. É uma boa fase para desenvolver o jogo simbólico, telefones, fantoches, bonecos ou carros são excelentes brinquedos para o jogo simbólico e criatividade. Fora de casa, andar de triciclo, baloiço ou escorrega.
Aos 3 anos e 4 anos, privilegia-se os brinquedos que promovam a criatividade, o jogo simbólico, o desenvolvimento cognitivo e a curiosidade.
Aos 5 anos, poderão ser introduzidos brinquedos, jogos que possam contribuir para a preparação para a escolar: o quadro para escrever, os desenhos para pintar, os desafios cognitivos, os jogos.
Em qualquer idade e especialmente nos mais velhos, é essencial que a criança possa exprimir os seus gostos e interesses, lhe seja permitido o conhecimento de diversos brinquedos e jogos. Construir brinquedos com a criança poderá também ser uma boa escolha.
Além do livro ser transversal a qualquer faixa etária, a arte e a música também são essenciais e bons motores de desenvolvimento em qualquer fase: peças de teatro, exposições, concertos adaptadas a cada faixa etária são excelentes presentes para os mais novos. Afinal, são presentes a dobrar, porque oferecem a possibilidade de interagir com os adultos significativos.

6. Avós e tios oferecem tudo – regras e condições das prendas

Poderá ser útil, nomeadamente aos avós e tios que por vezes consultam os pais quanto ao que poderão oferecer, transmitir-lhe que valores estão a ser trabalhados com a criança, a importância de que ela consiga perceber que nem sempre é possível ter tudo e que é importante cuidar e apreciar o que temos.
De qualquer modo, e se se optar por não transmitir alguns cuidados aos elementos mais próximos da família, o importante é que esteja a ser desenvolvido com a criança valores como a partilha, o desfrutar dos brinquedos que tem, a escolha, o não ser possível ter tudo, construindo assim com ela a tolerância à frustração e o saber cuidar dos brinquedos que tem.

7. Mas afinal o Pai Natal existe? – a pergunta e a resposta

Enquanto a criança não questiona, os pais poderão respeitar a sua fantasia e a construção desse conceito que é o Pai Natal e até como referi anteriormente usá-lo para desenvolver um conjunto de valores na criança.
Quando a criança questiona possivelmente chegou o momento em que já percebeu que o Pai Natal não é real, é uma fantasia e poderá ser explicado isso mesmo, ou seja, mesmo crescendo e sabendo que o Pai Natal não é mesmo real, ele pode continuar a ser uma fantasia, uma personagem imaginada que aquece o Natal e o torna uma época mágica e de alegria.
É essencial os pais estarem atentos às perguntas das crianças, perceberem o que a criança está a sentir e pretende com cada uma das suas perguntas e conseguirem dar respostas para a tranquilizar e esclarecer.

Feliz Natal!

Rita Castanheira Alves