Porque os miúdos não vêm com manual de instruções e porque se viessem também não tinha piada nenhuma... Vá, de vez em quando tinha alguma piada...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Sim , o seu filho tem raiva!
Exercício da
Raiva
A raiva é uma das emoções que os pais têm mais dificuldade em
ver nos filhos e a ajudá-los a lidar com os efeitos da mesma.
Mas os filhos sentem raiva, e não estão doentes por isso, muito menos são maus por se sentirem com raiva.
É preciso lidar com a raiva, isso sim e ajudá-los a expressarem-na seguindo três regras: não se magoarem, não magoarem os outros, nem estragarem o que não pode ser estragado.
Para pais e filhos, sejam pequenos ou crescidos, aqui ficam os passos do exercício da raiva.
-
Pegar numa revista que se possa estragar e rasgar
folhas sem parar, com muita força e rapidez;
-
Pegar num lápis de cera da cor escolhida pela
criança ou adolescente, que associe à raiva ou à frustração e riscar com muita
força uma folha inutilizada, enquanto quiser;
-
Gritar para dentro de uma almofada (pôr a
almofada encostada à boca e gritar para lá);
-
Bater muitas palmas, com força e intensidade;
-
Escrever
num papel tudo o que nos está a fazer sentir raiva e depois rasgar e deitar fora;
-
Andar muito rapidamente de um lado para o outro;
-
Saltar muito e alto;
-
Dar murros numa almofada, na qual seja permitido
fazê-lo.
-
No final, sentar ou deitar e respirar fundo,
calmamente.
Rita Castanheira Alves
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Júlia das Birras
Júlia
pára!
Júlia
não faças isso!
Júlia
está quieta!
Júlia,
outra vez!
Júliaaaaaa!!!!!
A Júlia tem 4 anos.
Uns 4 anos maduros. Maduros? Sim, maduros. Quero dizer… Crescidos. É
observadora, indaga tudo o que a rodeia, com os olhos redondos que nem bolas de
snooker. De nariz empinado, olha para um lado, olha para o outro, sempre
curiosa e em jeito de descoberta. Resolve problemas sozinha, como pedir as braçadeiras
quando vai para a piscina, vestir o vestido da praia e arrumar os livros por
ordem. Costuma responder quando lhe fazem perguntas, mesmo que a resposta seja:
“Não sei.” É uma Júlia Madura para a idade que tem, costuma ouvir.
Há 4 meses para cá,
mudaram de casa, a mãe foi convidada para ir trabalhar para um sítio que ela
gosta muito. A Júlia acha mesmo que é o sítio preferido da mãe porque - fica lá
tantoooo diaaaa, costuma dizer a Júlia, enquanto abre os olhos, para explicar o
tanto.
Foram os 4, a mãe do
novo trabalho, o pai com o trabalho antigo que o faz estar sempre ao computador
a escrever palavras, o mano pequeno da Júlia, o Faustino e claro, a Júlia dos
olhos redondos.
E a tartaruga
Xica??? Ah, claro. E a tartaruga Xica, com quem a Júlia conversa e bebe chá.
Há 4 meses também a
Júlia arranjou um novo trabalho… Dar trabalho. Dar trabalho? Uma rapariga tão
Madura? Há 4 meses, o novo trabalho da Júlia é… Dar trabalho. Suspiram os pais
entre um telefonema e a reunião no trabalho.
Mas afinal o que é
dar trabalho? Dar trabalho para os pais é fazer birras, é fazer asneiras e
disparates. E depois ouvirmos ralhetes dos pais.
Um dia, uma birra.
Outro dia, um disparate. No seguinte, uma asneirola e à noite, mais uma birra.
A Júlia Madura
passou a ser a Júlia birrenta. Que grande chatice.
E a Júlia
rapidamente se tornou a Júlia birrenta. As asneiras, as birras não paravam de
atacar, pareciam quase mais fortes que a Júlia. Não podia ser, a Júlia era tão
forte, alguma coisa se passava.
Foram três meses de
taaannntas birras no restaurante, de
disparates no supermercado, de fúria com a mãe, de coisas feias que a Júlia não
conseguia deixar de dizer, de lágrimas e de dificuldade para cumprir regras que
antes pareciam tão fáceis.
Os pais não
percebiam e o trabalho novo, as reuniões, as tarefas de casa e a vida tão
ocupada não os deixava perceber. Afinal o que se passava com a Júlia? De Madura
a birrenta, em 4 meses?
Os pais cansados,
ficaram em casa a descansar um dia, um dia sem trabalhar, sem sequer olhar para
o computador. Acordaram os manos Júlia e Faustino, houve miminhos e cócegas na
cama dos pais: - Iupiii! Dizia a Júlia enquanto ria e rebolava na cama dos
pais. Tomaram um pequeno almoço bem grande e com muita conversa. O Faustino
ficou na casa dos avós e os pais foram juntos levar a Júlia à escola e às cinco
horas foram buscá-la. A Júlia não podia acreditar. Correu para o abraço dos
pais e saltou com um sorriso graaannddeee. Chegaram a casa e brincaram no
tapete, como a Júlia gostava, a tomar chá com a tartaruga Xica. Mas desta vez
tinham convidados para o chá: os pais. E sem computadores, nem telefonemas, nem
pressas! O Faustino nesse dia ficou para o jantar na casa dos avós. Perto das 7
horas e meia uma banhoca, como a Júlia gostava, lá ía ela pelo corredor fora às
cavalitas do pai e no banho a espuma servia para fazer penteados: - Fecha os
olhos pai, fecha. Agora abre! Xanã, o meu penteado!
Jantaram e à noite
houve até tempo para história e para ouvir música calminha. A Júlia adormeceu,
depois do beijinho da mãe e do beijinho do pai, com um sorriso maduro. Com o
sorriso da Júlia Madura.
Nesse dia, a Júlia
Madura explicou aos pais, sem explicar, que precisava de tempo, de pais e de
mimos… Ensinou aos pais que é preciso parar, é preciso estar, sempre que possível,
nem que seja um bocadinho.
Rita Castanheira Alves
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Sete Ingredientes para um Natal mágico e pedagógico para os miúdos
Andamos na rua, e começa a
cheirar a Natal. Porque há luzinhas nas montras, árvores de Natal e bolas,
renas, gorros de pai natal. Começa a época das compras de presentes e os miúdos
a serem invadidos por anúncios apelativos de brinquedos nunca vistos e de jogos
há tanto desejados. Começa a corrida às compras, ao rechear a base da árvore de
Natal de prendas e o mais importante passa ao lado e daqui pouco já estamos em
2015.
Aproveite o Natal para mais
uma vez transmitir bons valores aos mais novos. Aqui ficam sete ingredientes
para um Natal positivo, pedagógico, divertido e de grande contributo para o
crescimento dos seus filhos.
1. Transmissão do verdadeiro significado do Natal – cada casa,
seu significado, acima de tudo saber cuidar
O Natal é uma época vivida
de formas distintas por cada família, havendo mesmo famílias que por questões
religiosas não festejam o Natal.
As que festejam têm para si
um significado particular do Natal, que depende da educação, da tradição
familiar, da existência e da prática ou não da religião.
Não há uma resposta certa
uma vez que não há apenas UM verdadeiro significado do Natal. É importante sim
que as crianças percebam o que é o Natal, de onde vem, o que simboliza e que
seja um conceito e uma época partilhada com a restante
família/amigos/cuidadores.
2. O consumismo do Natal – ajudar o seu filho a lidar com tanto
apelo publicitário
Esse é um trabalho diário,
de todos os momentos com a criança. Apesar da publicidade ser mais proeminente
durante a época natalícia, as crianças actualmente estão bastante expostas ao
grande apelo publicitário. Como tal, esse é um trabalho do todo o ano: mediar a
emissão da informação publicitária e a forma como a criança a recebe e o que
faz dela e fora da publicidade, ter todos os cuidados com a forma como a
criança trata os seus brinquedos, faz uso dos mesmos, aproveita um brinquedo,
desfruta do mesmo.
3. O Natal é solidário – aproveitar a época para desenvolver a
solidariedade
As acções de solidariedade,
de construção da sensibilidade para a existência do outro, das condições
diferentes em que outras crianças/pessoas vivem é sempre essencial para a
construção do altruísmo, do combate à indiferença, da justiça na personalidade.
Ao longo de todo o ano, os pais podem realizar acções envolvendo as suas
crianças, não tendo de ser apenas uma acção reservada à época do Natal. No
entanto, no Natal, aproveitando o facto de ser uma época de dar, porque não
fazerem uma arrumação ao quarto e escolher brinquedos e roupas para quem não os
tem, mas precisa?
4. A Carta ao Pai Natal –
escrever ou não escrever
A carta ao Pai Natal pode
ser um documento que fortalece a fantasia e o imaginário das crianças,
condições essenciais e importantes no seu desenvolvimento, como tal poderá ser
escrita.
Quando bem aproveitada, é
uma excelente ferramenta para explicar à criança um conjunto de valores e
ideias: a partilha, a necessidade de tomar decisões, a escolha, a frustração…
Os pais ao explorarem a carta da criança ao Pai Natal podem de uma forma
adaptada à fase de desenvolvimento da criança desenvolver estes valores com ela
e reflectir com ela sobre estas questões. Em simultâneo está a ser permitido à
criança que desenvolva o seu imaginário e fantasia, tão importantes para o seu
desenvolvimento, e ao mesmo tempo, que lhe comecem a ser incutidos valores
essenciais para a sua vida e para a realidade em que está a crescer.
Quanto à explicação das
crise financeira, como qualquer assunto da nossa realidade e que afecta o
dia-a-dia da criança, poderá ser abordado de forma simples e adaptada ao seu
nível de compreensão e de maturidade emocional e não é necessário esperar pelo
Natal para explicar. É importante que a criança seja atenta, curiosa mas não passar
uma extrema preocupação para ela, mostrar-lhe sim que os adultos cuidarão da
situação e que ela com a partilha, a compreensão, a poupança à sua maneira
poderá também estar a contribuir bastante, valorizando-a por isso.
5. A escolha dos presentes – sugestões adequadas a cada faixa
etária
Nos primeiros 6 meses,
pode-se optar por brinquedos que poderão ser coisas que temos em casa, afinal
tudo é novidade para a criança: tampas de tachos, molas da roupa, colheres de
pau, só é necessário ter cuidado com a escolha de objectos desinfectados e não
tóxicos. Nesta fase e porque começam a observar o que os rodeia, poderão ser
construídas bolas de pano, com várias cores, padrões e tamanhos para pôr no
berço, ao mesmo tempo que observam podem dar pontapés nas bolas e ver o seu
movimento e pode ser posto um espelho inquebrável para se irem vendo embora
ainda não se reconheçam. Pode pôr-se um papagaio de papel no carrinho, gostam
de ver o movimento do papagaio quando vem o vento. Nesta fase, o som também é
muito atractivo, podendo pôr-se no berço, no carrinho guizos com tamanhos,
materiais e cores diferentes.
O livro, inicialmente de
pano ou de um material maleável, depois em outros materiais deverá ser um
objecto que acompanha a criança desde sempre, mesmo no berço e é um óptima
ferramenta para interacção de pais e filhos, de desenvolvimento cognitivo, da
fantasia, da criatividade e uma fonte de aprendizagem.
Dos 6 aos 9 meses, canções,
rimas são muito adequadas a esta fase, para os bebés que já gatinham bolas de
plástico para irem atrás delas. No banho, funis, batedor de ovos manual, copos,
poderão ser extremamente divertidos e úteis para o seu desenvolvimento.
Entre os 12 e os 18 meses
poderão ser escolhidos brinquedos que proporcionem o encaixar, o abrir, o fechar,
blocos de borracha para arrumar e desarrumar. Os brinquedos com botões que dão
luz, som, mexem-se são também indicados para esta fase. Quando começar a andar,
brinquedos ligados à locomoção: cadeirinha de passeio, andarilho, carrinho de
plástico, jogos com obstáculos para vencer. São também importantes nesta fase,
os brinquedos onde podem bater, como o tambor ou o xilofone, para que
desenvolvam a coordenação muscular grossa.
A partir dos 18 meses até
aos 24 meses, para estimular o desenvolvimento cognitivo poderá optar-se por
brinquedos/jogos como puzzles, contas grossas de madeira para enfiar numa
corda, caixas para colocar tampas. É uma boa fase para desenvolver o jogo
simbólico, telefones, fantoches, bonecos ou carros são excelentes brinquedos
para o jogo simbólico e criatividade. Fora de casa, andar de triciclo, baloiço
ou escorrega.
Aos 3 anos e 4 anos,
privilegia-se os brinquedos que promovam a criatividade, o jogo simbólico, o
desenvolvimento cognitivo e a curiosidade.
Aos 5 anos, poderão ser
introduzidos brinquedos, jogos que possam contribuir para a preparação para a
escolar: o quadro para escrever, os desenhos para pintar, os desafios
cognitivos, os jogos.
Em qualquer idade e
especialmente nos mais velhos, é essencial que a criança possa exprimir os seus
gostos e interesses, lhe seja permitido o conhecimento de diversos brinquedos e
jogos. Construir brinquedos com a criança poderá também ser uma boa escolha.
Além do livro ser
transversal a qualquer faixa etária, a arte e a música também são essenciais e
bons motores de desenvolvimento em qualquer fase: peças de teatro, exposições,
concertos adaptadas a cada faixa etária são excelentes presentes para os mais
novos. Afinal, são presentes a dobrar, porque oferecem a possibilidade de
interagir com os adultos significativos.
6. Avós e tios oferecem tudo – regras e condições das prendas
Poderá ser útil,
nomeadamente aos avós e tios que por vezes consultam os pais quanto ao que
poderão oferecer, transmitir-lhe que valores estão a ser trabalhados com a criança,
a importância de que ela consiga perceber que nem sempre é possível ter tudo e
que é importante cuidar e apreciar o que temos.
De qualquer modo, e se se
optar por não transmitir alguns cuidados aos elementos mais próximos da
família, o importante é que esteja a ser desenvolvido com a criança valores
como a partilha, o desfrutar dos brinquedos que tem, a escolha, o não ser
possível ter tudo, construindo assim com ela a tolerância à frustração e o
saber cuidar dos brinquedos que tem.
7. Mas afinal o Pai Natal existe? – a pergunta e a resposta
Enquanto
a criança não questiona, os pais poderão respeitar a sua fantasia e a
construção desse conceito que é o Pai Natal e até como referi anteriormente
usá-lo para desenvolver um conjunto de valores na criança.
Quando a
criança questiona possivelmente chegou o momento em que já percebeu que o Pai
Natal não é real, é uma fantasia e poderá ser explicado isso mesmo, ou seja,
mesmo crescendo e sabendo que o Pai Natal não é mesmo real, ele pode continuar
a ser uma fantasia, uma personagem imaginada que aquece o Natal e o torna uma
época mágica e de alegria.
É
essencial os pais estarem atentos às perguntas das crianças, perceberem o que a
criança está a sentir e pretende com cada uma das suas perguntas e conseguirem
dar respostas para a tranquilizar e esclarecer.
Feliz Natal!
Rita Castanheira Alves
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