segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sete Ingredientes para um Natal mágico e pedagógico para os miúdos


Andamos na rua, e começa a cheirar a Natal. Porque há luzinhas nas montras, árvores de Natal e bolas, renas, gorros de pai natal. Começa a época das compras de presentes e os miúdos a serem invadidos por anúncios apelativos de brinquedos nunca vistos e de jogos há tanto desejados. Começa a corrida às compras, ao rechear a base da árvore de Natal de prendas e o mais importante passa ao lado e daqui pouco já estamos em 2015.
Aproveite o Natal para mais uma vez transmitir bons valores aos mais novos. Aqui ficam sete ingredientes para um Natal positivo, pedagógico, divertido e de grande contributo para o crescimento dos seus filhos.

1. Transmissão do verdadeiro significado do Natal – cada casa, seu significado, acima de tudo saber cuidar

O Natal é uma época vivida de formas distintas por cada família, havendo mesmo famílias que por questões religiosas não festejam o Natal.
As que festejam têm para si um significado particular do Natal, que depende da educação, da tradição familiar, da existência e da prática ou não da religião.
Não há uma resposta certa uma vez que não há apenas UM verdadeiro significado do Natal. É importante sim que as crianças percebam o que é o Natal, de onde vem, o que simboliza e que seja um conceito e uma época partilhada com a restante família/amigos/cuidadores.

2. O consumismo do Natal – ajudar o seu filho a lidar com tanto apelo publicitário

Esse é um trabalho diário, de todos os momentos com a criança. Apesar da publicidade ser mais proeminente durante a época natalícia, as crianças actualmente estão bastante expostas ao grande apelo publicitário. Como tal, esse é um trabalho do todo o ano: mediar a emissão da informação publicitária e a forma como a criança a recebe e o que faz dela e fora da publicidade, ter todos os cuidados com a forma como a criança trata os seus brinquedos, faz uso dos mesmos, aproveita um brinquedo, desfruta do mesmo.

3. O Natal é solidário – aproveitar a época para desenvolver a solidariedade
As acções de solidariedade, de construção da sensibilidade para a existência do outro, das condições diferentes em que outras crianças/pessoas vivem é sempre essencial para a construção do altruísmo, do combate à indiferença, da justiça na personalidade. Ao longo de todo o ano, os pais podem realizar acções envolvendo as suas crianças, não tendo de ser apenas uma acção reservada à época do Natal. No entanto, no Natal, aproveitando o facto de ser uma época de dar, porque não fazerem uma arrumação ao quarto e escolher brinquedos e roupas para quem não os tem, mas precisa? 

4. A Carta ao Pai Natal – escrever ou não escrever

A carta ao Pai Natal pode ser um documento que fortalece a fantasia e o imaginário das crianças, condições essenciais e importantes no seu desenvolvimento, como tal poderá ser escrita.
Quando bem aproveitada, é uma excelente ferramenta para explicar à criança um conjunto de valores e ideias: a partilha, a necessidade de tomar decisões, a escolha, a frustração… Os pais ao explorarem a carta da criança ao Pai Natal podem de uma forma adaptada à fase de desenvolvimento da criança desenvolver estes valores com ela e reflectir com ela sobre estas questões. Em simultâneo está a ser permitido à criança que desenvolva o seu imaginário e fantasia, tão importantes para o seu desenvolvimento, e ao mesmo tempo, que lhe comecem a ser incutidos valores essenciais para a sua vida e para a realidade em que está a crescer.
Quanto à explicação das crise financeira, como qualquer assunto da nossa realidade e que afecta o dia-a-dia da criança, poderá ser abordado de forma simples e adaptada ao seu nível de compreensão e de maturidade emocional e não é necessário esperar pelo Natal para explicar. É importante que a criança seja atenta, curiosa mas não passar uma extrema preocupação para ela, mostrar-lhe sim que os adultos cuidarão da situação e que ela com a partilha, a compreensão, a poupança à sua maneira poderá também estar a contribuir bastante, valorizando-a por isso.

5. A escolha dos presentes – sugestões adequadas a cada faixa etária

Nos primeiros 6 meses, pode-se optar por brinquedos que poderão ser coisas que temos em casa, afinal tudo é novidade para a criança: tampas de tachos, molas da roupa, colheres de pau, só é necessário ter cuidado com a escolha de objectos desinfectados e não tóxicos. Nesta fase e porque começam a observar o que os rodeia, poderão ser construídas bolas de pano, com várias cores, padrões e tamanhos para pôr no berço, ao mesmo tempo que observam podem dar pontapés nas bolas e ver o seu movimento e pode ser posto um espelho inquebrável para se irem vendo embora ainda não se reconheçam. Pode pôr-se um papagaio de papel no carrinho, gostam de ver o movimento do papagaio quando vem o vento. Nesta fase, o som também é muito atractivo, podendo pôr-se no berço, no carrinho guizos com tamanhos, materiais e cores diferentes.
O livro, inicialmente de pano ou de um material maleável, depois em outros materiais deverá ser um objecto que acompanha a criança desde sempre, mesmo no berço e é um óptima ferramenta para interacção de pais e filhos, de desenvolvimento cognitivo, da fantasia, da criatividade e uma fonte de aprendizagem.
Dos 6 aos 9 meses, canções, rimas são muito adequadas a esta fase, para os bebés que já gatinham bolas de plástico para irem atrás delas. No banho, funis, batedor de ovos manual, copos, poderão ser extremamente divertidos e úteis para o seu desenvolvimento.
Entre os 12 e os 18 meses poderão ser escolhidos brinquedos que proporcionem o encaixar, o abrir, o fechar, blocos de borracha para arrumar e desarrumar. Os brinquedos com botões que dão luz, som, mexem-se são também indicados para esta fase. Quando começar a andar, brinquedos ligados à locomoção: cadeirinha de passeio, andarilho, carrinho de plástico, jogos com obstáculos para vencer. São também importantes nesta fase, os brinquedos onde podem bater, como o tambor ou o xilofone, para que desenvolvam a coordenação muscular grossa.
A partir dos 18 meses até aos 24 meses, para estimular o desenvolvimento cognitivo poderá optar-se por brinquedos/jogos como puzzles, contas grossas de madeira para enfiar numa corda, caixas para colocar tampas. É uma boa fase para desenvolver o jogo simbólico, telefones, fantoches, bonecos ou carros são excelentes brinquedos para o jogo simbólico e criatividade. Fora de casa, andar de triciclo, baloiço ou escorrega.
Aos 3 anos e 4 anos, privilegia-se os brinquedos que promovam a criatividade, o jogo simbólico, o desenvolvimento cognitivo e a curiosidade.
Aos 5 anos, poderão ser introduzidos brinquedos, jogos que possam contribuir para a preparação para a escolar: o quadro para escrever, os desenhos para pintar, os desafios cognitivos, os jogos.
Em qualquer idade e especialmente nos mais velhos, é essencial que a criança possa exprimir os seus gostos e interesses, lhe seja permitido o conhecimento de diversos brinquedos e jogos. Construir brinquedos com a criança poderá também ser uma boa escolha.
Além do livro ser transversal a qualquer faixa etária, a arte e a música também são essenciais e bons motores de desenvolvimento em qualquer fase: peças de teatro, exposições, concertos adaptadas a cada faixa etária são excelentes presentes para os mais novos. Afinal, são presentes a dobrar, porque oferecem a possibilidade de interagir com os adultos significativos.

6. Avós e tios oferecem tudo – regras e condições das prendas

Poderá ser útil, nomeadamente aos avós e tios que por vezes consultam os pais quanto ao que poderão oferecer, transmitir-lhe que valores estão a ser trabalhados com a criança, a importância de que ela consiga perceber que nem sempre é possível ter tudo e que é importante cuidar e apreciar o que temos.
De qualquer modo, e se se optar por não transmitir alguns cuidados aos elementos mais próximos da família, o importante é que esteja a ser desenvolvido com a criança valores como a partilha, o desfrutar dos brinquedos que tem, a escolha, o não ser possível ter tudo, construindo assim com ela a tolerância à frustração e o saber cuidar dos brinquedos que tem.

7. Mas afinal o Pai Natal existe? – a pergunta e a resposta

Enquanto a criança não questiona, os pais poderão respeitar a sua fantasia e a construção desse conceito que é o Pai Natal e até como referi anteriormente usá-lo para desenvolver um conjunto de valores na criança.
Quando a criança questiona possivelmente chegou o momento em que já percebeu que o Pai Natal não é real, é uma fantasia e poderá ser explicado isso mesmo, ou seja, mesmo crescendo e sabendo que o Pai Natal não é mesmo real, ele pode continuar a ser uma fantasia, uma personagem imaginada que aquece o Natal e o torna uma época mágica e de alegria.
É essencial os pais estarem atentos às perguntas das crianças, perceberem o que a criança está a sentir e pretende com cada uma das suas perguntas e conseguirem dar respostas para a tranquilizar e esclarecer.

Feliz Natal!

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Neste Natal ofereçam... ABRAÇOS embrulhados!

Neste Natal ofereçam...

ABRAÇOS. 

Material

- caixas de cartão;
- papel de embrulho;
- laços;
- cartões "De: Para:"
- caneta

Como fazer?

- Abram as caixas;

- Com os miúdos em casa, dêem abraços durante 1 minuto. Mãe ao filho, o irmão à irmã, o pai à mãe, a avó ao bebé;

- De seguida, cada um deve dizer aos restantes e à vez que abraço, dado anteriormente, quer pôr dentro da caixa;

- Fechem todas as caixas e embrulhem-nas a gosto;

- Coloquem cartões "De: Para:" indicando a quem enviam o abraço.

- Na noite de Natal, ofereçam as caixas com os abraços.


A não esquecer:

- os adultos devem estar convictos e entusiasmados com estas prendas;

- além de abraços, podem escolher pôr dentro da caixa beijinhos, mimos, festinhas, a criatividade é sempre possível e uma excelente ajuda;

- garanta que todos receberão uma caixa com um abraço;

- quando abrirem as caixas, quem ofereceu deverá dar o abraço à pessoa que o recebeu.


Uma brincadeira original, diferente, que ajuda a que o Natal aí em casa possa ter um significado bem maior do que receber todas as prendas do supermercado.

Feliz Natal e desejos de boas prendas! ;)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Como promover a Bondade e a Solidariedade nos miúdos? - uma entrevista para a Revista Activa no mês do Natal


A convite da excelente Jornalista Catarina Fonseca, participei no número de Natal da Revista Activa. Uma entrevista sobre a bondade e a solidariedade nas crianças. Valores a promover nos miúdos, não só no Natal, mas obrigatórios durante todo o ano e mais além.

Na página 192, podem encontrar a entrevista. Por questões de espaço, naturalmente não foi possível incluir tudo na revista.
Daqui a uns dias, partilho convosco as respostas completas a cada questão. Até lá, vale a pena ler a entrevista, aliás, as entrevistas, à Psicóloga dos Miúdos e ao Pároco de Oeiras, Nuno Westwood. Excelente ideia e com respostas úteis para os pais dedicadas a estas questões.

Espero que gostem.

Rita Castanheira Alves

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Enquanto chove lá fora, mimem-se.

Nesta noite chuvosa, vamos "dar-nos" mimos. Mimos aos filhos, dos crescidos aos pequenotes, à mãe, ao pai, aos manos, a quem estiver aí em casa.
Vamos aproveitar que chove tanto lá fora e fazer um intervalo "nas vidas" de cada um: deixar de lado a pilha de trabalhos-de-casa, o jantar e os banhos para despachar, os emails por ler e os likes nas fotos do facebook. Vamos aproveitar e respirar. Juntos, comer cereais, torradas ou encomendar uma pizza, conversar, rir, dizer disparates e saber uns dos outros.
Com tanta chuva lá fora, estradas cortadas, inundações e um dia que ficou cinzento, vamos ser família e esquecer, por um serão, o que vem amanhã. Ouvir o miúdo mais novo e vê-lo fazer o novo truque de magia, pedir à do meio que nos mexa no cabelo e nos pinte as unhas, como tanto gosta, olhar para o mais velho e pedir-lhe que nos mostre a música que gosta, o que está na moda e o que é "cota". Vamos aproveitar que chove lá fora e ser curiosos com a vida dos nossos filhos e dos pais, o que os move, o que gostam, o que lhes apetece fazer e contar.
Deixar chover lá fora sem parar e aproveitar para fazer um intervalo e estar, simplesmente, estar em família. E sentir. Sentirem-se.
Ter a certeza que amanhã pode haver falta de TPC, o trabalho atrasado ou um teste abaixo do 70%, mas que daqui a muitos anos, haverá pessoas felizes, gostadas, satisfeitas e por isso bem-sucedidas.

Rita Castanheira Alves

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O meu filho não vibra de alegria. E eu vibro?

Mais importante é "sentir" o meu olhar de miúdo a brilhar. 
É sentir o coração a bater mais forte, porque depois de um dia de escola, vou poder ver o filme com o meu pai, sem falarmos em notas, nem em trabalhos. Só porque nos sabe tão bem preguiçar no sofá, sem mais nada. 
O mais importante é "sentir-me" a sorrir por dentro porque a minha mãe se espantou com os desenhos que agora gosto de fazer. Sentir entusiasmo porque depois dos trabalhos-de-casa vou poder surpreendê-la com mais um destes desenhos que inventei e que ela está sempre tão curiosa para ver. 
De manhã acordar e saber que a escola é importante, faz parte da minha vida, mas para além da escola, há muito mais com que posso preocupar-me e ocupar-me: a nova colecção que gostava mesmo de terminar, o almoço com os primos na cozinha sem adultos, a nova coreografia que estamos a inventar na aula de dança e a nova música que estou a inventar com a minha amiga no meu quarto. 
Sentir que me apetece continuar a viver e que a vida é uma coisa engraçada, desafiante, divertida aos 10 anos e que continuará a ser mesmo quando passarem muitos anos e for adulto. Sentir que há um mundo de possibilidades à minha frente.

Mais importante é "sentir" o meu olhar a brilhar, "sentir" o meu coração a bater de entusiasmo com coisas pequenas mas que nos deixam logo em pulguinhas a nós miúdos, "sentir" a vontade de viver e "sentir" vontade de me imaginar de 1001 formas quando crescer aos 15, aos 18 e aos 30 anos e ver um mundo de possibilidades. "Sentir" que me orgulho dos desenhos que faço, mesmo quando a Matemática não consigo passar do 60%.

E acima de tudo "sentir" o olhar dos meus pais a brilhar porque me vêem brilhante, feliz e entusiasmado, mesmo quando só consegui ter um 60%. Acima de tudo "sentir" que o olhar dos meus pais também brilham quando vamos todos para a mesa, para a galhofa porque o dia difícil de escola e trabalho já lá vai. Agora estamos em casa. 

Rita Castanheira Alves

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Tem muita coisa entalada na garganta?


Já basta tudo o que fica "entalado" e que tem mesmo de ficar. No trabalho, com os colegas ,com os chefes, com aquele cliente menos simpático e que nos põe em causa e ao nosso esforço. Já basta os "entalanços" fora de casa...

É importante dizer, não deixar "entalado" na garganta.  Exprimir em casa o que cada um sente. Não deixar de dizer. Não deixar de conversar sobre o que se passou. Mas nem sempre é fácil. Porque os filhos não vão perceber, porque vai dar novamente em discussão, porque está demasiado arrependido para lhe pedir desculpa por ter gritado consigo. Porque expressar emoções ainda é difícil. Porque raramente conseguem estar juntos. 
Mas não deixe "entalado", porque um dia, em vez de conseguirem falar, só vão gritar e culpar-se e embirrar com tudo. 
E se tiverem formas alternativas de se expressarem? 
Aqui fica uma ideia da Psicóloga dos Miúdos para as famílias.

Arranjem um quadro de ardósia e giz, um bloco com um íman para pôr no frigorífico ou um conjunto de folhas e uma caneta. Qualquer que seja a opção, o importante é estar num local frequentado por todos os elementos da família, como a cozinha.

Sempre que se lembrem, de manhã ou à noite deixem mensagens uns para os outros.  Uma estratégia que promove relações familiares mais saudáveis, que nos permite explicar o que às vezes não conseguimos explicar verbalmente, que permite “falar” sem que nos interrompam, que nos permite agradecer ou pedir desculpa depois de um dia mau.


Quantas vezes já escreveram uns aos outros? 

Rita Castanheira Alves